“As pessoas têm medo de falar a palavra câncer, porque acha que já vai contrair a doença. Existe o preconceito com a doença. Depois que eu tive o câncer, descobri que existem vários tipos da doença”, declarou a merendeira escolar Leomaria Rocha Ribeiro Vieira, 51 anos, durante o primeiro encontro “Cuide-se, você é indispensável”, que aconteceu na manhã de ontem, no Hospital São Pedro.

A iniciativa faz parte do Outubro Rosa, mês que celebra a campanha de incentivo e prevenção ao câncer de mama. Leomaria declarou que contou com ajuda de familiares, amigos, e colegas pois o acolhimento ajuda no tratamento.

Leomaria teve o primeiro nódulo aos 18 anos de idade, e somente aos 50, o câncer de mama foi detectado.

E em seu relato, a merendeira comentou sobre as etapas do tratamento, e falou sobre a importância da campanha, e da realização do alto exame por parte das mulheres e dos homens também, independente da idade.

“O câncer tem cura? Acreditamos que sim. O avanço da medicina está trazendo maiores respostas. Mas uma coisa é certa, se descoberto logo no início, existem maiores chances de encontrar a cura”, declarou.

O médico Dr. Rogério Zanon, que conhece a história de Leomaria, disse que ela é uma grande guerreira.

Leomaria detectou o primeiro nódulo aos 18 anos de idade. Na época, chegou a retirar parte das mamas, e o nódulo ‘sumiu’. “Detectei pela primeira vez o nódulo, aos 18 anos, no exame de toque. Fiz o acompanhamento desse nódulo por um bom tempo. Como eu tinha as mamas muito grandes, eu tive que fazer a redução das mamas, e esse nódulo saiu”, lembra.

32 anos depois, um novo nódulo surge, e dessa vez, a descoberta de um câncer de mama fez com que Leomaria se aprofundasse nos estudos sobre a doença, até descobrir que o fator genético não foi o seu caso.

“Em 2016 o nódulo voltou, e descobri outro nódulo. Em 2017, minha médica achou que o nódulo estava mudando de tamanho e aumentando. Eu não levei a sério o que a doutora falou na época, porque eu nunca tive casos de câncer na minha família, e acabei descartado a hipótese de eu ter, não parecia possível acontecer”, conta.

E completa. “Em 2018, em um exame de rotina, a minha médica disse que o nódulo mudou de tamanho, e que dessa vez estaria disforme, que teria deixado de ser redondinho e de uma forma que estava criando raízes. Um nódulo inofensivo se tornou câncer de mama 32 anos depois”.

O depoimento aconteceu durante a primeira ação informativa realizada no Hospital São Pedro.

A demora para detectar a doença, poderia apresentar sérios problemas no tratamento. “Infelizmente, nesse trajeto, desde 2017, eu levei um tempo para procurar um mastologista. A gente que trabalha, é dona de casa, cuida de filho, marido, nos colocamos em último lugar. Quando vi que teria que buscar o médico com urgência. Foi detectado o câncer de mama, e Graças a Deus ainda estava no começo, com grandes chances de cura”, comemorou.

Leomaria completou um ano de tratamento. Foram 12 quimioterapias brancas e 4 vermelhas. A merendeira declarou que foi um câncer agressivo, e que na época da biópsia, 40 dias depois da primeira, o nódulo tinha praticamente triplicado de tamanho.

“Retirei toda a mama. Serão 10 anos de tratamento ainda. Mas já me sinto curada. A campanha é importante, mas falta mais ação por parte do SUS. Nosso SUS está mais doente do que nós. Não conseguimos consultas ou exames com facilidades, mas que isso não seja um problema para gente, e que possamos colocar nossa saúde em primeiro lugar. E busque meios do tratamento para vencer a doença, porque é uma doença curável, e nós temos que buscar essa cura”, finalizou.

Ação Informativa. A ação informativa, de reunir os funcionários do Hospital São Pedro, surgiu com o aumento de casos de mulheres com câncer de mama na cidade. A enfermeira e responsável técnica do hospital, Gislaine Aparecida Peixoto, esclareceu que as pessoas precisam conhecer mais sobre o autoexame.

A enfermeira Gislaine (à esquerda), declara que a prevenção é o grande caminho. Ao lado, o médico Rogério Zanon, e sua assessora Celiene Alves.

“Muitos reclamam que todo mundo já sabe de cor e salteado sobre a prevenção. Mas quantas vezes você, mulher ou homem, fez o autoexame desde outubro do ano passado? Marcou sua visita ao ginecologista? Conseguiu no meio da rotina, incluir os exames que o médico solicitou? Levou de volta para o médico olhar? São perguntas simples, que na maioria das vezes a resposta é não”, indagou a enfermeira, que pediu ainda que as perguntas fossem feitas aos amigos, aos familiares, para que essa corrente do bem se espalhasse.

Médico há 39 anos, Dr. Rogério Zanon, esclarece que a campanha é muito importante, e que conversas como essas, ajudam a refletir melhor sobre a importância de se prevenir.

“Abrir espaço para o debate, é importante. Conversa sobre o assunto, precisa acontecer em todas as empresas. As pessoas não costumam fazer os exames de prevenção, e por isso não descobrem a doença logo início. Às vezes temos a impressão que não vai acontecer com a gente. Mas se diagnosticado logo no início, a chance de cura é muito maior. Se previna, não só durante o mês da campanha, mas em todos os meses. Outubro rosa está indo, e chegando o novembro azul. Vamos fazer nossa parte”, completou Zanon.

Por assessoria do Dr. Rogério Zanon

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