Todos os dias após o trabalho, a diarista Aldeni Paulo da Silva, de 40 anos, volta para casa caminhando pela avenida Anchieta, no Ipiranga em Guarapari. Mas no último dia 31 sua rotina mudou. Por volta das seis da tarde ela passava por uma calçada quando parte de um outdoor quebrou e atingiu sua cabeça causando um corte profundo na testa. 

Após ser atingida pelo outdoor, Aldeni teve um corte profundo na cabeça e precisou levar cerca de 20 pontos. Foto: Arquivo Pessoal

“Eu saí do trabalho e estava com pressa porque  estava indo buscar minhas filhas. Quando passava pela calçada só escutei quando a  Neia, minha amiga que trabalha comigo, gritou ‘Aldeni’. Eu virei e de repente já estava no chão caída. Levantei rapidinho e o sangue já começou a descer. A Neia ficou desesperada e eu não conseguia abrir os olhos”, relatou a diarista.

Ela contou que um motorista que passava pelo local a socorreu e levou para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). “Um homem me pegou no colo. Tinha uma criança chorando e uma mulher também estava com ele. Eu só falava para não me colocar dentro do carro porque eu estava sangrando. Mas ele falou para eu não me preocupar. Me pegou no colo, me colocou dentro do carro e me deu a camisa dele porque o sangue estava escorrendo para todo lado e entrando na minha boca. Depois ele me levou para o PA e não sei mais nada porque foi tudo muito rápido”.

Outdoor que quebrou e feriu a diarista. Foto: Arquivo Pessoal

Aldeni levou cerca de 20 pontos e ficou em observação durante 12 horas na UPA. Onze dias após o acidente, ela está traumatizada e contou que evita passar onde tudo aconteceu. “Não consigo mais passar pelo local. Depois do acidente teve um dia que precisei vir na rua com minhas filhas e passei pela calçada do outro lado da rua. Na hora o rapaz da loja de bebidas me reconheceu e eu já fiquei gelada e comecei a chorar. Então vi que não dá certo passar por ali. Agora quando preciso vir para o Centro passo pelo São Judas e saio ao lado da igreja Batista porque não dá para passar por ali por enquanto”.

Além dos ferimentos e do trauma, Aldeni também teve o prejuízo financeiro porque não está podendo trabalhar para sustentar os filhos de 6, 8 e 16 anos. “A pior parte é que não posso trabalhar. Tenho três filhos para sustentar, estou separada e tenho que tentar me manter. Tenho que agradecer muito a Deus por ter deixado eu viver porque isso para mim foi um livramento, mas espero que ele continue me sustentando porque ficar sem trabalhar é complicado. Tenho que pagar aluguel e manter tudo sozinha então é difícil. Estou vivendo com ajuda de Deus e alguns amigos. Hoje mesmo uma amiga levou uma cesta básica para mim”.

A advogada de Aldenir, Kimbylle Lopes Siqueira, relatou que ainda não entrou em contato com a empresa responsável pelo outdoor porque está levantando os documentos relativos ao acidente. 

Segundo Aldeni, esta foi a parte do outdoor que se desprendeu e a atingiu. Na imagem é possível ver um prego e um pouco de sangue da diarista. Foto: Arquivo Pessoal

A defensora da diarista não revelou o valor da indenização que vai pedir, mas explicou que “a indenização seria no sentido de compensar essa situação a fim de amenizar  um pouco o sofrimento seja físico, moral, psicológico e  toda a situação que ela está passando. Valores é muito relativo porque a gente não consegue mensurar esse sofrimento”.

Aldeni afirmou que não se importa com o dinheiro e está aliviada por estar viva. “Independente de tudo estou feliz porque estou viva. No início foi difícil porque não sabia o que pensar. Só pensava nos meus filhos. Mas estou viva e vou poder cuidar dos meus filhos. Dinheiro não vai me  trazer felicidade nenhuma. Queria que isso não tivesse acontecido para eu poder estar bem para estar trabalhando muito, que é o que eu gosto de fazer e assim cuidar dos meus filhos. Mas agora vou viver. Tenho que tentar me recuperar. Não é fácil porque aqui praticamente não tenho família, mas graças a Deus tenho bons amigos”, disse a diarista emocionada.

O Portal 27 procurou a Sul Outdoor, que é empresa responsável pela placa para saber qual o posicionamento da mesma sobre o acidente e recebeu a seguinte resposta: “A empresa, informa que ate momento não foi contactada a respeito do ocorrido, mas, estará averiguando e se coloca a disposição”.

Nossa reportagem também procurou a prefeitura para saber se a empresa será multada, mas não obtivemos retorno. 

Atualizado às 17h35: Por meio de nota a prefeitura respondeu que “Com a publicação da Lei Nº. 4111/2017, que altera dispositivos da Lei Nº. 1258/1990 – Código de Postura, todas as empresas que possuem placas publicitárias já foram notificadas pela Secretaria de Fiscalização, inclusive a empresa responsável pela referida placa. Não havendo cumprimento da notificação esta e demais empresas podem ser multadas em valores que variam de R$ 2.190,192 a R$ 5.110,448”.