Os moradores do entorno de uma pedreira em Guarapari estão preocupados com uma possível expansão da área de exploração da empresa. O novo local fica a pouco mais de 100 metros de dezenas de casas e próximo a um reservatório de água da Cesan.

Além de conviverem diariamente com o incômodo das explosões da pedreira, agora eles temem que o reservatório de água não suporte os tremores causados pelas explosões e cause uma tragédia no bairro.

João Vitor observa as máquinas trabalhando na pedeira. Explosões causam transtornos aos moradores. Foto: João Thomazelli/Portal 27
João Vitor observa as máquinas trabalhando na pedeira. Explosões causam transtornos aos moradores. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Na manhã desta segunda-feira funcionários da pedreira foram até um ponto a apenas cem metros de distância das casas mais próximas e começaram a fazer furos na pedra para colocarem dinamite. Seria uma nova área de exploração dentro dos limites da licença da empresa.

Uma das pedras que voaram das explosões e caíram no telhado de uma das casas em Perocão. foto: divulgação
Uma das pedras que voaram das explosões e caíram no telhado de uma das casas em Perocão. foto: divulgação

Mas a proximidade com as casas preocupou os moradores que interviram. “Nós fomos lá e conversamos com os funcionários da empresa e combinamos que seria feito uma reunião para discutir sobre isso”, explicou o mergulhador Daniel da Silva, 20 anos.

Daniel explicou que a rotina de quem vive próximos à pedreira é estressante e perigosa. “As casas vivem com o telhado furado de pedras que voam quando eles explodem dinamite lá embaixo. De vez em quando algum funcionário vem aqui trazer telha nova e buscar as pedras que caíram dentro das casas. A situação é tão perigosa que quando vai ter explosão, eles vêm aqui avisar para nos abrigarmos debaixo de lajes de concreto”, disse Daniel.

Em algumas rachaduras, é possível até colocar a mão dentro. Casas podem ruir com a situação. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Em algumas rachaduras, é possível até colocar a mão dentro. Casas podem ruir com a situação. Foto: João Thomazelli/Portal 27

José Vitor Riquieri, 23 anos, que também mora próximo à pedreira, diz que a preocupação maior agora é com o reservatório de água da Cesan. “Se antes já voava pedra aqui, sendo que eles explodem lá embaixo, imagina quando começarem a quebrar pedra aqui? Mas o medo maior agora é com o reservatório da Cesan. Nós não sabemos se a Cesan fez o reservatório sabendo das explosões na pedreira. Temos muito medo de que o reservatório se rompa. Se isso acontecer vai ser uma tragédia sem precedentes em Guarapari”, disse João.

Medo das explosões

Assis Vieira Borges, 81 anos, é um dos moradores mais antigos do bairro Perocão e também trabalhou na pedreira em 1963. Na época as pedras eram extraídas no lado oposto de onde fica a casa dele e hoje convive com o medo das explosões.

O reservatório, que tem capacidade para 2.500 m³ de água está distante 200 metros do local das explosões. Foto: João Thomazelli/Portal 27
O reservatório, que tem capacidade para 2.500 m³ de água está distante 200 metros do local das explosões. Foto: João Thomazelli/Portal 27

“Eu vim para cá em 1963 para trabalhar na pedreira e em 1968 eu casei e vim morar aqui onde estou hoje. Na época ouvíamos os estouros, mas não tinha muito problema. Hoje meu medo é que as pedras voam de lá e pode acertar alguém. O reservatório também me dá medo. Imagina se aquilo lá não aguenta os tremores e se rompe? Vai ser uma tragédia! ”, disse o aposentado.

Rachaduras nas paredes

Os tremores causados pelas explosões na pedreira já deixaram várias paredes das casas com rachaduras. Em uma das casas visitadas pela reportagem do Portal 27 é possível ver que os tremores estão comprometendo a estrutura do imóvel.

Assis, 81 anos, mora no local desde 1968. O medo é de que o reservatório não aguente os tremores. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Assis, 81 anos, mora no local desde 1968. O medo é de que o reservatório não aguente os tremores. Foto: João Thomazelli/Portal 27

João Vitor Riquieri, 23 anos, chegou a colocar parte da mão dele em uma das rachaduras. As outras casas também passam pela mesma situação e não é raro os moradores terem que fazer reparos nas paredes para que não ocorra a queda da estrutura.

A pedreira

Sandro Abreu, proprietário da empresa que explora a pedreira, diz que está aberto para conversar com os moradores para se chegar a um entendimento.

“Não podemos ignorar os problemas, mas também temos que tentar chegar em um entendimento com os moradores. As licenças ambientais estão em dia e temos o direito à exploração aqui, mas não queremos que isso prejudique ninguém. Hoje pela manhã os moradores foram lá falar com a equipe que estava furando e marcamos uma reunião para discutir o que pode ser feito”, explicou Sandro.

Cesan

A Cesan informou que vai mandar uma equipe ao local para verificar a situação. Confira a nota da empresa:

“A Cesan informa que até o momento não foi avisada formalmente sobre as atividades no local. Entretanto, irá enviar uma equipe para tomar conhecimento da situação e analisar o que está acontecendo. A capacidade do reservatório é de 2.500 m³. Informa ainda que a empresa que está fazendo a intervenção é que deve responder pelos impactos em outras estruturas”.

Iema

Procuramos o Iema para sabermos se a empresa tem licença para aumentar a área de levra. Em nota o instituto respondeu que:

“O Iema informa que a empresa Britamar, em Guarapari, possui Licença de Operação vigente. Após vistoria recente do Instituto, a empresa teve parte de sua área interditada, pois estava realizando extração mineral em local não autorizado pelo Iema.

A multa está em avaliação no órgão e irá se basear nos impactos ambientais causados, que também solicitou da Britamar mais detalhes sobre a expansão da larva. Contudo, em função das denúncias, o Iema irá retornar ao local para realizar nova vistoria e tomar as providências cabíveis”.

*atualizado às 22h05