Em uma avaliação franca sobre a articulação política do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, admitiu que o Palácio do Planalto errou ao focar em uma meta inalcançável: construir uma maioria qualificada (dois terços) na Câmara e no Senado.
Segundo o ministro, a obsessão por superestimar o cálculo político acabou fazendo com que o governo negligenciasse a manutenção e o cuidado com a base aliada que já possuía desde o resultado das urnas em 2022. “Qual foi o erro político desse terceiro mandato do presidente Lula? A obsessão de ter dois terços na Câmara e no Senado, que era impossível”, cravou Dias.
O ministro argumentou que o foco deveria ter sido garantir a maioria simples (metade mais um), que é suficiente para aprovar cerca de 95% das matérias de interesse do Executivo.
O Erro nos Números da Articulação. Dias relembrou o cenário pós-eleições de 2022 para ilustrar como uma estratégia mais modesta e focada teria sido mais eficiente para a governabilidade:
- No Senado: O governo iniciou com 39 senadores. Para Wellington Dias, bastava “cuidar bem deles” e dialogar pontualmente para garantir a maioria simples.
- Na Câmara: A base contava com 242 deputados que apoiaram Lula no primeiro ou no segundo turno. O erro, segundo ele, foi não ter focado em conquistar os cerca de 30 parlamentares restantes para consolidar a metade mais um.
A autocrítica do ministro ganha força diante do redesenho das forças políticas no Congresso Nacional. Em setembro de 2025, o cenário governista sofreu um duro golpe com o anúncio de que o União Brasil e o PP desembarcariam da bancada de apoio ao Planalto, motivados pela consolidação da federação União Progressista. Com o movimento, 12 senadores e 101 deputados migraram formalmente para a oposição.
Por outro lado, as movimentações pré-eleitorais também trouxeram trocas partidárias estratégicas:
- Soraya Thronicke (MS): Deixou o União Brasil e filiou-se ao PSB, partido da base aliada, adotando um posicionamento favorável ao governo.
- Sergio Moro (PR): O ex-juiz e ex-ministro da Justiça deixou o União Brasil para se filiar ao PL. Moro, que rompeu com Jair Bolsonaro no passado acusando-o de interferência na PF, agora usará a legenda bolsonarista para pavimentar sua candidatura ao governo do Paraná.
Palanques regionais. De olho no futuro e na reconstrução de pontes com o Congresso, Wellington Dias aposta na formação de palanques regionais como a nova estratégia de sedução parlamentar. A ideia central é dar protagonismo local aos deputados e senadores em troca de fidelidade em Brasília.
O governo pretende usar o anúncio de obras e medidas federais nos estados e municípios como moeda de troca. Ao transformar o parlamentar no “padrinho” local das entregas do Planalto, o governo espera colher os frutos da popularidade regional.
“É no estado e em cada município que as coisas acontecem. Se a gente valoriza esse parlamentar para ser a referência do que o governo faz ali, eles passam a ser protagonistas. A população valoriza e daí nasce a fidelidade”, explicou o ministro.










