O problema de loteamentos e até mesmo bairros inteiros construídos em áreas de preservação ambiental não é novidade em Guarapari. As imobiliárias preocupadas em vender terrenos não providenciam a infraestrutura básica, como água e energia elétrica, e quem fica com o problema são os moradores.

No começo deste ano mostramos os problemas enfrentados pelos moradores de Santa Arinda (veja aqui). Agora são os moradores de Village do Sol que sofrem com o problema da falta de energia elétrica.

Impedidos de receberem ligações de energia da EDP, porque o bairro foi construído em área de preservação ambiental, moradores e comerciantes apelam para o “gato”, o que é proibido por lei.

Moradores do Bairro querem pagar pela energia elétrica, mas não podem. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Moradores do Bairro querem pagar pela energia elétrica, mas não podem. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Na manhã de ontem, uma equipe da EDP esteve no bairro para retirar ligações clandestinas de energia elétrica, mas tiveram que sair do bairro, pois os moradores impediram que o trabalho continuasse.

“O loteamento existe desde 1978, mas haviam poucas casas até uns dois anos atrás, quando o Transcol começou a atender o bairro. Mais moradores começaram a se mudar para cá, mas uma decisão judicial impede que novas instalações sejam realizadas. São mais de cinco mil pessoas aqui”, explica Néia Lima, moradora do bairro.

Ainda de acordo com Néia, tem morador que colocou o poste padrão há mais de 10 anos, mas o pedido de ligação de energia não foi atendido.

Várias casas possuem padrão, mas os moradores não conseguem energia elétrica. foto: João Thomazelli/Portal 27
Várias casas possuem padrão, mas os moradores não conseguem energia elétrica. foto: João Thomazelli/Portal 27

A confusão é ainda maior porque alguns moradores possuem ligações corretas, executadas pela concessionária, mas outros não, e estes acabam apelando para as ligações clandestinas.

“Ninguém quer ficar no “gato”, queremos pagar a energia que consumimos, mas eles não instalam, por isso que muitos optam por esta prática”, conta Fabrício Nunes de Campos, também morador do bairro.

Alguns moradores conseguem a energia elétrica através de liminar judicial, mas são poucos. Marciunilo Luz Caires é um deles. Além de ter uma serralheria, ele é pastor evangélico.

“Eu moro aqui desde 1999 e era só solicitar que eles vinham e instalavam, mas agora para conseguir luz para a igreja eu tive que acionar a Justiça e consegui uma liminar”, conta o pastor.

As ruas do bairro possuem postes e fiação elétrica, mas a energia não chega à maioria dos moradores. Foto: João Thomazelli/Portal 27
As ruas do bairro possuem postes e fiação elétrica, mas a energia não chega à maioria dos moradores. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Os moradores pedem uma solução para o problema, já que o bairro, apesar de afastado do Centro da cidade, é populoso. “Nós queremos pagar pela energia elétrica que consumimos, mas precisamos que o poder público nos ajude, que compre nossa causa”, finalizou Néia.

A prefeitura informou que “o loteamento encontra-se embargado por decisão judicial, impossibilitando qualquer intervenção do município até que a empresa loteadora realize a regularização. A empresa também já foi notificada pela Prefeitura”.

Já a EDP informou em nota que: “Conforme consta, pedidos de ligação de energia só podem ser atendidos, conforme determina a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), desde que estejam em áreas legalizadas e regularizadas por todos os órgão competentes”.

Em nota o Iema esclareceu: “Com relação ao VIlage Sol, o loteamento está localizado no interior da APA de Setiba e está embargado. Para sua regularização, foi feita vistoria no local pelo Iema e solicitado à adequação ambiental do empreendimento.  A documentação apresentada pelo empreendedor está em análise no Iema. Além disso, cabe ressaltar, que o Iema, junto ao Ministério Público Estadual, tem realizado reuniões com os moradores da região da APA de Setiba para orientar e esclarecer a população sobre a condição dos loteamentos irregulares.

 

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