Os estragos causados pela ressaca do mar na orla de Meaípe preocupam moradores, comerciantes e admiradores da região. A prefeitura está estudando uma maneira de solucionar o problema, mas qualquer medida adotada será apenas paliativa.

A informação é do geógrafo e professor de geografia Pedro Henrique Gomide Lucci. “A ideia é prorrogar o fim da orla. Qualquer obra vai retardar o processo de erosão. Não sei se esse ano, ano que vem ou daqui a quantos anos porque o tempo da natureza é diferente do nosso. Não existe solução definitiva para orla de Meaípe”, disse.

Geólogo acredita que toda solução será paliativa, já que a orla foi aterrada.

Pedro Henrique explicou que a ressaca do mar é um fenômeno natural e que o único problema é a ocupação desordenada. “O avanço da maré foi alto, mas isso só se torna um problema ambiental e humano a partir do momento que tem uma ocupação. Se estivesse acontecendo em uma praia sem ocupação, não seria um problema. O problema ali é a ocupação irregular que foi feita em uma época em que não tinha legislação em um balneário turístico que cresceu de forma desordenada. O que está acontecendo não é nada além do normal para o mar. É o ciclo natural dele”.

O geógrafo afirmou ainda que a interferência humana é outro fator que gerou o problema. “Para piorar a situação, do outro lado da rodovia temos as lagoas que eram lagunas e o homem transformou em lagoas. A diferença entre laguna e lagoa é que laguna tem contato com o mar e lagoa não. Esse ambiente era de laguna e naturalmente tinha contato com o mar. A Rodovia do Sol foi construída em um lugar totalmente inapropriado para ela”.

Lucci disse que uma hora o mar vai tomar a rodovia.  “O prazo de vida dela pode ser daqui a 10, 15 ou 20 anos, mas vai depender do mar porque as lagunas estão fazendo força para encontrar com o mar e o mar está fazendo força para encontrar com a laguna”.

Segundo ele, o píer construído pela mineradora também influenciou no processo. “Quando ela construiu um píer, influenciou na dinâmica de depósito de sedimentos, mas isso o mar se adapta. O negócio é que ele não tem espaço para se adaptar. A ocupação humana foi muito próxima”.

Ele também lembrou da extração de areia monazíticas como influência humana. “Outro problema que influência não só ali, mas também a Praia do Riacho e a Areia Preta foi a extração de areia monazítica. Tiraram toneladas de areia dali e hoje a gente paga o preço”.

Grande parte da orla já foi destruída pela força das ondas.

O geógrafo também explicou que existem três tipos de praia a refletiva, a dissipativa e a intermediária, que é o caso de Meaípe. “Ela está vulnerável a uma ressaca. Diferente de outras praias que são totalmente tranquilas. Ali quando tem uma ressaca como agora em que veio a frente fria, que empurrou a maré e não teve espaço para ela depositar sedimentos, ela vai chocar com tudo que estiver na frente”.

E completa. “O bioma praia é formado pelo banco de areia onde forma as ondas e onde a gente pega praia é chamado pós-praia. Ele precisa ser largo só que Meaípe naturalmente é estreita porque tem falésias. A sequência seria a restinga, que lá também não tem mais. Só existe restinga do lado de lá da Rodovia do Sol, que já é a restinga arbórea, não a herbácea que é rasteira e ajuda a segurar. Junto com as areias também tem dunas e lá também não tem mais. Toda essa alteração no ecossistema hoje está fazendo a gente pagar o preço”, explicou o geógrafo.

Lucci também tem dúvidas se a ideia de fazer um engordamento da faixa de areia pode ajudar a resolver o problema. “O engordamento da praia prevê que a quebra do mar tenha espaço para a energia se dissipar para que não seja um impacto próximo da orla. A ideia é boa, mas se é viável ou não eu não sei”.  

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