A BR 101 não será duplicada, já nos informou a ECO 101, após mais uma tragédia que ceifou onze vidas. A mesma BR 101 não melhorou em absolutamente nada, mesmo após a instalação da praça de pedágio. O que era antes da ECO 101, permanece sendo o mesmo: perigo, pistas mal sinalizadas, sem fiscalização e com inúmeros desastres e acidentes fatais.

O paradoxo disso tudo é que o valor da cobrança do pedágio já aumentou várias vezes sem que o usuário, sequer, percebesse algum tipo de alteração benéfica ao longo da via. A sociedade organizada precisa parar e ver, a sombra destas coisas, que a presença da ECO 101 é desnecessária, irrelevante e injustificável nesse tempo. Várias promessas para começar a obra de duplicação já foram feitas, inclusive apresentando datas de início, mas não passou de ludibriação e engano.

A presença da ECO 101 é desnecessária, irrelevante e injustificável nesse tempo.

Enquanto isso, o direito constitucional de ir e vir não funciona para aqueles que não possuem o maldito valor que se paga para cruzar as estradas capixabas. Repudiamos os locais onde opera as milícias que cobram “valores em dinheiro” para os moradores saírem e entrarem, mas toleramos pacificamente essa postura frontalmente abusiva da ECO 101, que de forma imposta e em conluio com outros setores, se posta com empáfia ao lhe dar com o condutor veicular, promovendo a cada alma dizimada por sua sede de dinheiro, uma ojeriza que não consegue se ver nem em obra de ficção, embora, trágica e infelizmente, tudo isso seja uma dura, medonha e penosa realidade.

A não ser que se promova de forma massiva, paralisações pacíficas, manifestos em frente as praças de pedágio, impedimento de cobrança aos veículos etc., nada irá acontecer. Triste ainda mais é saber que a classe política não ouve a voz da educação. Nossas autoridades constituídas não escutam a voz do clamor social organizado. Isso é triste.

Por esse motivo existem piquetes, barricadas, ônibus são queimados, vias públicas são interditadas, confrontos e brigas com muita violência são criados etc. Falamos solenemente, pois, no fundo, não gostaríamos que fosse assim. O tema é penoso. Famílias estão chorando seus mortos e viverão um luto eterno e inesquecível. Tudo isso poderia ter sido diferente. Nós não temos nenhuma segurança para qualquer lugar que se vire na BR 101. Nem mesmo pagando, como se vê, pois, ninguém vê o valor pago ao pedágio sendo convertido em benefício para o usuário.

Triste ainda mais é saber que a classe política não ouve a voz da educação.

A tragédia desse mês de setembro de 2017 já era prevista e anunciada. Se nada for feito – como vemos que não está sendo feito até agora – outros desastres virão, irreversivelmente. Só nesse ano de 2017, mais de 120 pessoas morreram vítimas de acidentes fatais em toda BR 101. Quantas almas a mais terão que nos deixar até que vejamos essa equação resolvida?

Como exemplo, em Junho de 2016 aconteceu o maior acidente rodoviário do ES, com 23 mortos em Guarapari. O colapso do sistema se apresenta de maneira cabal. A ECO 101 não se dispõe a fazer o investimento necessário para que a sociedade goze de uma estrada com qualidade, segurança e conforto. Um carro de passeio gasta em torno de R$ 50,00 para atravessar o Espírito Santo de um pólo a outro. Com caminhões e ônibus esse valor é ainda mais abusivo.

Uma parte do trecho, ao menos até Cachoeiro do Itapemirim, já deveria ter sido duplicado. Só que nunca foi. Não tem sequer um quilômetro duplicado dentro daquilo que foi proposto, desde que se instalou as cobranças de pedágio.

A duplicação do trecho onde vitimou uma parte do brilhante grupo de dança do belíssimo e querido município de Domingos Martins/ES, no último sábado, dia 09/09/2017, está prevista para acontecer até o 23° ano do contrato, isto é, seria isso em meados de 2040? Mas a verdade é que essa duplicação da BR 101 gera muitas polêmicas e jamais sai do papel. É preciso dizer também que naturalmente, o fator humano imprudência é um grande indicativo de muitos dos acidentes fatais e não somente. Não podemos esquecer disso.

Voltando ao foco dessa coluna, pelo contrato de concessão, a rodovia 116, por exemplo, já deveria ter sido duplicada. Mas como isso não aconteceu até hoje, então a BR 101 é dramaticamente sobrecarregada com um fluxo de veículos superior ao que se pode comportar, gerando mais uma verdadeira rodovia da morte no Espírito Santo.

A sociedade não pode se postar como expectadora desse filme de terror, onde o setor público vive numa quebra de braço constante com o setor privado e onde nada é resolvido e a corrupção só aumenta desse jeito, nos fazendo perguntar “Pra quê pagar pedágio?”

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