Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após colapso financeiro

O presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia ao cargo nesta terça-feira (3 de novembro de 2026). A decisão foi anunciada logo após o início de um procedimento de resolução para o banco digital Ueno Bank, motivado pela detecção de um déficit expressivo em seu índice de solvência, o que gerou forte apreensão e aglomerações de clientes em frente às agências da instituição.

Tanto o Banco Central quanto Carvallo — que presidiu o banco digital até agosto de 2023 — enfrentavam crescentes pressões públicas relativas à fiscalização da instituição e a supostas ligações políticas. O episódio representa um teste rigoroso para a credibilidade econômica construída pelo Paraguai como polo emergente para investimentos estrangeiros na América do Sul.

Protestos de Clientes e Investigação Criminal

A incerteza quanto à restituição de valores levou centenas de correntistas, incluindo aposentados que recebem benefícios por meio da plataforma, a se reunirem do lado de fora das agências fechadas do Ueno Bank em Assunção e cidades vizinhas, como Ñemby.

Para ampliar o escrutínio sobre o caso, o Ministério Público do Paraguai determinou a abertura de uma investigação criminal para apurar as circunstâncias que levaram ao colapso operacional da instituição.

Ao justificar sua saída, Carvallo declarou que permanecerá interinamente no cargo apenas durante a condução inicial dos procedimentos do Ueno Bank:

“Meu afastamento ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP […] permitindo que o Banco Central e a Superintendência de Bancos realizem seu trabalho sem serem distraídos por disputas políticas e midiáticas”, pontuou em coletiva de imprensa.

Contexto do Ueno Bank e Garantias do Banco Central

Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno Bank acumulava cerca de 3 milhões de clientes e geria aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, seguindo uma trajetória de expansão digital comparada a fintechs globais. No entanto, o banco vinha sofrendo pressões regulatórias devido a suspeitas de concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio conglomerado controlador, o que pressionou a cotação dos títulos em dólares da empresa com vencimento em 2031 e os papéis da dívida soberana paraguaia.

Em nota oficial, o Banco Central do Paraguai buscou conter o contágio sistêmico, classificando o evento como isolado. A Superintendência de Bancos nomeou interventores para auditar o patrimônio da instituição e assegurou que:

  • Os depositantes terão o pagamento garantido até o limite legal de 75 salários mínimos (cerca de US$ 39 mil), amparados pelo fundo de garantia de depósitos.

  • Os repasses e pagamentos destinados aos aposentados estão integralmente assegurados.

Até o fechamento dos relatórios, o Ueno Bank e o Grupo Vázquez não haviam se manifestado formalmente sobre os questionamentos da imprensa internacional.

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