O delegado da Delegacia de Infrações Penais e Outros (DIPO), Felix Meira, disse que vai colher novo depoimento do motorista do Uber Paulo Sarmento Rodrigues, de 58 anos, e o laudo do exame de corpo delito realizado no dia da agressão será anexado nas investigações em que todos os envolvidos serão identificados e intimados.

O motorista sofreu ferimentos no rosto.

O motorista, Paulo Sarmento Rodrigues foi agredido ao buscar uma cliente na rodoviária de Guarapari, segundo ele, por quatro taxistas no último dia 14. Paulo relatou que recebeu o chamado pelo aplicativo e foi buscar a passageira por volta das oito e meia da manhã e enquanto a aguardava foi ameaçado.

“Eu estava ligando para ela pelo aplicativo e parado já há uns quatro minutos. Quando eu ia cancelar a viagem porque não estava localizando a passageira eles vieram falar comigo. Disseram para eu sair de lá porque não era minha área e que era para eu considerar aquilo uma ameaça. Respondi que não tenho medo de ninguém, que a vantagem de ser velho era não ter medo de morrer e que estava para nascer um homem para me meter medo porque o dia que eu tiver medo de homem é melhor me matar logo porque vou ter vergonha de viver”.

Ele relata que os taxistas afirmaram que ele fica na porta dos ônibus abordando os passageiros, mas segundo ele, isso não é verdade e que após ser ameaçado a cliente localizou o carro dele através da placa e foi impedida de entrar no veículo. “A cliente apareceu e eles voltaram, abri o porta-malas para colocar a bagagem da cliente. Quando ela ia entrar no meu carro eles a impediram. Começaram a dar soco no meu carro e a bater em mim, ela saiu apavorada dizendo que é brasileira e tem direito de escolha e escolheu o Uber”.

“Eles disseram que ali o Uber não pode trabalhar que eles não iriam deixar. Nisso foram me agredindo uns três ou quatro. Eu tinha dito três, mas um colega que foi testemunha disse que foram quatro, não consegui ver direito porque eles me deram um soco e meu óculos voou e sem óculos não sou ninguém. Comecei a sangrar e quando eu estava no chão os colegas do Uber que estavam deixando e pegando clientes na rodoviária me viram apanhando de quatro pessoas e vieram me dar cobertura e segurança, aí eles saíram correndo”, relatou o motorista.

O carro que Paulo usava no dia ficou amassado.

O motorista contou ainda como era os taxistas que o agrediram. “Um rapaz jovem que não deve ter nem 25 anos, ele tem idade para ser meu filho e me deu um soco e me jogou no chão. Eles me socaram no meu braço e nas minhas costas. O outro de aparentemente 40 anos e desdentado fugiu. Um mulato alto de óculos escuros foi o que mais me ameaçou. Todos me bateram”.

Paulo afirmou que após ser espancado tomou conhecimento de ameaças que outros colegas do Uber já sofreram na cidade. “Nunca fui ameaçado antes. Alguns colegas já me disseram que foram ameaçados, mas nunca foram as vias de fato. Eu virei o mártir da Uber em Guarapari”.

“O que mais me doeu de tudo não foi ser espancado nem humilhado não. Foi ver a minha neta de 4 anos chorando e dizendo “vovozinho machucaram você? Não deixa te machucarem não, não vai mais trabalhar”, lamentou o motorista.

Apesar disso, ele afirmou que vai continuar trabalhando como motorista do Uber na cidade. “Não vou parar de trabalhar. Como disse o Zagalo, eles vão ter que me aturar. Já falei, não tenho medo de ninguém. Sou carioca e moro em Guarapari há 8 anos. Vim para cá cuidar da minha mãe que já faleceu e adotei essa cidade como minha”.

Após as agressões o motorista registrou ocorrência e fez exame de corpo delito. Ele relatou que seu advogado vai entrar com processo de danos morais e lesão corporal dolosa contra os agressores.

O presidente da Associação dos Taxistas, Paulo Silas Vidal Benevenuto afirmou que não concorda com a violência cometida pelos colegas. “Não concordo com a agressão de maneira nenhuma. Acho que essas coisas têm que ser resolvidas na conversa. Qualquer tipo de agressão sou contra, acho que tem que chamar a fiscalização e não partir para agressão para cima dos outros. Se a situação está ruim para nós, está para eles também”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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