Para os cristãos a Semana Santa é a época de celebrar a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo e na Sexta-feira Santa não se deve consumir carne, por isso, o alimento é substituído por peixes. Mas, no Espírito Santo esse também é o momento de saborear um tradicional prato, a torta capixaba. Ela é famosa, mas você sabe como ela surgiu?

O jornalista, historiador e também autor da famosa frase “Moqueca é capixaba. O resto é Peixada”, Cacau Monjardim relatou que a torta capixaba existe há 400 anos. “A torta capixaba é quadricentenária. Ela é o prato mais nobre do Espírito Santo porque é inteiramente capixaba dos pés à cabeça”.

A torta capixaba é um prato tradicional do Estado.

Ele afirmou que “a torta é fruto da influência indígena e da larga fertilidade do nosso litoral, que permitia ter acesso fácil a peixes e a mariscos e se aliava as condições do próprio negócio agrícola onde eram importantes o palmito, o urucum, a cebola, o coentro e todas as demais coisas. Nós como grandes produtores hoje, inclusive, de ovos e galinhas temos o ovo como uma coisa importante da torta capixaba. Mas, os índios já faziam a torta e com o passar do tempo ela foi ganhando a expressão capixaba”, explica ele.

Bacalhau. Segundo Cacau, inicialmente o bacalhau não era usado na torta. “A verdadeira torta capixaba não leva bacalhau. Não condeno quem coloca bacalhau hoje porque é uma questão de gosto, mas o bacalhau passou a ser usado porque da influência dos portugueses que vieram para cá participar da colonização e trouxeram o bacalhau para fazer as bacalhoadas. Os donos da terra acabaram se habituando a ter o bacalhau porque o pescado ficava muito caro naquela época e o bacalhau veio cumprir o papel de parceiro de alguns pratos nossos. Ele é sem dúvida alguma um grande produto, mas não é fundamental estar presente na torta. O bacalhau pode estar na torta porque não compromete em nada, mas digamos que é uma torta genérica”.

O jornalista e historiador Cacau Monjardim relatou que a verdadeira torta capixaba não leva bacalhau.

Releituras. Ele também criticou as chamadas “releituras” do prato. “Eu já vi até sujeito dizer que tem que colocar abobora na torta, como é possível? Esse negócio de releitura é uma idiotice. Isso se faz quando as coisas estão erradas, mas quando os pratos são perfeitos e tem 400 anos de tradição o negócio é cumpri-los na sua íntegra”., afirma.

O historiador lembrou ainda que tanto a torta quanto a moqueca capixaba ficam mais saborosas quando preparadas na panela de barro. “Em 1575 no Espírito Santo a pescaria era uma das mais fortes e graduais do país e viemos mantendo essa tradição. Guarapari, por exemplo, possui restaurantes que estão perfeitamente prontos para preparar a torta e a moqueca. As duas e a panela de barro são irmãs siamesas. Todas em conjunto, armadas para servir os capixabas e os turistas que nos visitam”, relatou Cacau.