Alexandre de Moraes proíbe lives e divulgação de entrevistas de Bolsonaro nas redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou nesta segunda-feira a proibição do uso de redes sociais pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, estendendo a medida a qualquer forma de veiculação de conteúdo por terceiros, sob risco de prisão. A decisão detalha a restrição imposta na última sexta-feira (18), que já incluía o uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher e restrição de contato com investigados.

De acordo com o despacho de Moraes, a medida cautelar de proibição de redes sociais “inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiro”. O ministro foi enfático ao alertar que o ex-presidente não pode usar esses meios para “burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão”.

Ex-presidente está proibido de reproduzir lives e divulgar entrevistas em suas redes.

Entrevista cancelada

A decisão ocorre em um dia em que o Partido Liberal (PL), sigla de Bolsonaro, havia anunciado uma coletiva de imprensa com a participação do ex-presidente na Câmara dos Deputados. No entanto, após o novo despacho de Moraes, a participação de Bolsonaro na coletiva foi cancelada, conforme apurado pela TV Globo junto à assessoria do partido.

As medidas cautelares impostas a Bolsonaro resultam de indícios reunidos pela Polícia Federal (PF) que apontam para crimes de coação, obstrução e atentado à soberania nacional. A PF alega que Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, agiram para tentar obter sanções contra agentes públicos brasileiros junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos.

“Confissão consciente e voluntária”

Para Moraes, o ex-presidente teria confessado de forma “consciente e voluntária” uma tentativa de extorsão contra a Justiça brasileira. A suposta extorsão estaria ligada à anistia condicionada ao fim da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Na decisão que impôs as cautelares na semana passada, o ministro afirmou que os atos de Bolsonaro e seu filho caracterizam “claros e expressos atos executórios e flagrantes confissões da prática dos atos criminosos”. Moraes também salientou que a conduta de ambos induz, instiga e auxilia o governo estrangeiro à prática de atos hostis contra o Brasil, buscando, inclusive, submeter o funcionamento do STF aos Estados Unidos para arquivar ou extinguir a ação em que Jair Bolsonaro é réu.

Restrições

Além da proibição do uso de redes sociais, as medidas cautelares impostas a Bolsonaro incluem:

  • Uso de tornozeleira eletrônica;
  • Toque de recolher noturno e nos fins de semana;
  • Restrições de contato com seus filhos, diplomatas e outros investigados.

As investigações da PF se referem ao julgamento da chamada “trama golpista”, na qual o ex-presidente é réu. A Polícia Federal afirma que os Bolsonaros atuam “com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado estrangeiro”.

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João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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