Alerta do FBI ajuda polícia capixaba a prender homem que usou IA para planejar a morte do próprio filho

Uma investigação que envolveu a empresa gestora de uma ferramenta de Inteligência Artificial, o FBI e a polícia do Espírito Santo resultou na prisão de um lavrador de 36 anos. O homem é suspeito de planejar o assassinato do próprio filho, de oito anos, com o objetivo de evitar o pagamento de pensão alimentícia.

A prisão foi divulgada pela Polícia Civil na tarde de quinta-feira (25), uma semana após o suspeito ser detido em São Gabriel da Palha, no Noroeste do estado, no momento em que saía para trabalhar.

A polícia apreendeu materiais que seriam utilizados no assassinato de criança. Foto: PCES/Divulgação

O plano revelado à tecnologia

De acordo com o delegado Ícaro Olímpio, adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o homem detalhou suas intenções nas conversas virtuais com a IA. Nas mensagens, ele revelou que pretendia contratar um pistoleiro para executar a criança, com quem não mantinha contato. O motivo seria o temor de que, caso ele estivesse ausente, a ex-mulher cobrasse a pensão alimentícia da avó paterna.

Além da contratação do executor, o suspeito relatou à ferramenta que possuía uma arma, corda e cianeto (veneno), e que planejava realizar outros ataques.

Ação integrada evitou o crime

O plano foi descoberto após a empresa responsável pela Inteligência Artificial reportar os diálogos. O alerta foi emitido ao Federal Bureau of Investigation (FBI), que repassou a denúncia ao Ministério da Justiça brasileiro. O órgão, por sua vez, notificou a Polícia Civil capixaba.

Segundo as autoridades, o crime já tinha uma data marcada para acontecer: 20 de junho. A polícia conseguiu interceptar e prender o homem no dia 19 de junho, véspera do ato planejado.

Desdobramentos legais

Embora o suspeito tenha negado todos os fatos, os registros das conversas fundamentaram o pedido de prisão pelos crimes de ameaça, tentativa de homicídio e incitação ao crime.

A polícia informou que se trata de uma autuação inicial e que o indiciamento formal ocorrerá após a realização de perícia nos materiais que foram apreendidos. O delegado Ícaro Olímpio ressaltou o caso como um alerta sobre o monitoramento digital: “Tudo o que é externalizado às inteligências artificiais é comunicado. Não há nada que passe despercebido. Estamos vigilantes”.

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