O fenômeno meteorológico El Niño deve começar a impactar o Espírito Santo a partir de agosto deste ano, trazendo o risco de um aumento significativo nos casos de dengue. O alerta foi feito pelo coronel Benício Ferrari, da Defesa Civil Estadual, e referenda uma nota emitida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) no último dia 8. De acordo com o coronel, a elevação das temperaturas médias acelera o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, facilitando a proliferação da doença.
Modelos de previsão indicam que, entre agosto e setembro, os termômetros devem registrar marcas cerca de dois graus acima da média histórica para o período. Embora esses meses não façam parte da estação mais quente do ano, a anomalia térmica preocupa. Os indicadores apontam ainda que o El Niño pode se estender até o início de 2027. Se a intensidade persistir até o primeiro quadrimestre do próximo ano — período que abrange os meses naturalmente mais quentes de janeiro a abril —, o estado poderá enfrentar recordes absolutos de calor e ondas de calor provocadas por sistemas de alta pressão.
Seca prolongada expõe vulnerabilidade nas regiões Sul e Serrana
Além das altas temperaturas, o fenômeno deve provocar uma estiagem prolongada em todo o território capixaba, afetando o abastecimento e a produção agrícola de maneiras distintas.
A região Norte do Estado, habituada a períodos frequentes de seca entre junho e setembro, possui maior infraestrutura de armazenamento e propriedades mais irrigadas, o que lhe confere maior resiliência. Em contrapartida, as regiões Serrana e Sul são apontadas como as mais vulneráveis pelo coronel Ferrari, devido ao menor percentual de propriedades rurais preparadas com sistemas de irrigação. Na agricultura, a falta de água deve prejudicar a floração das plantas e o desenvolvimento dos frutos, além de favorecer o surgimento de pragas, que têm o metabolismo acelerado pelo calor.
Alerta para incêndios florestais e aumento na conta de luz
A combinação de baixa umidade relativa do ar, escassez de chuva, vegetação seca e ventos fortes vai elevar consideravelmente o risco de incêndios florestais no estado. A Defesa Civil ressalta que o clima severo não inicia os incêndios de forma espontânea, mas atua como um agravante para o fogo originado por ações humanas, sejam elas acidentais ou propositais.
O bolso do consumidor capixaba também deve sentir os efeitos do El Niño através da conta de energia elétrica. Com a estiagem, o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas tende a baixar, reduzindo o potencial de geração. Como a prioridade dos reservatórios passa a ser o abastecimento humano, o sistema elétrico nacional precisará acionar as usinas termelétricas — uma fonte de energia consideravelmente mais cara —, o que deve encarecer as tarifas de luz no estado.










