Na manhã desta quarta-feira (09) agentes da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) prenderam Jonathan Paranhos de Jesus, de 29 anos, em sua casa, em Santa Mônica, com aproximadamente dois mil pinos de cocaína, um revólver caibre 32 com munições e 50 gramas de maconha.

Segundo o delegado da Depatri Marcos Nery, os agentes estiveram no bairro para investir um furto de um depósito de gás e acabaram descobrindo as drogas. “Os policiais notaram uma adolescente em um barraco bastante nervosa e sem saber dar mais informações do porque ela estava em Guarapari sendo que ela informou que era de São Paulo e os policias apesar de estarem lá com um objetivo, não podem se eximir da responsabilidade de indagar e proteger um adolescente. Diante do nervosismo dela, eles acharam que estaria em uma situação de vulnerabilidade ou passando por uma situação de violência sexual. Eles foram apurar e verificaram que dentro do barraco totalmente insalubre havia um indivíduo maior com armas e diversas drogas prontas para a distribuição”.
“Nós acreditamos que ali era um ponto de distribuição de drogas para a venda na região. Acreditamos também que o trabalho da polícia tem que ser cada vez mais integrado. Como nossa delegacia é de Crimes Contra o Patrimônio, vamos lavrar o flagrante e passar para a Delegacia de Entorpecentes, que vai dar continuidade e tentar identificar essa rede criminosa que está agindo na região”, explicou Nery.
Ele lembrou ainda que para sustentar o vício muitos usuários de drogas acabam cometendo crimes. “O tráfico também incentiva a prática de crimes contra o patrimônio porque muitas vezes os usuários de drogas cometem furtos e roubos para poder trocar por drogas e manter o vício. Então estamos tentando fazer esse trabalho integrado e conseguimos dar um grande prejuízo ao tráfico na região. Acreditamos que o Jonathan não age sozinho e estava ali possivelmente tomando conta e separando a droga para a distribuição”.

O delegado relatou que a adolescente encontrada junto com Jonathan afirma ser namorada dele e que eles vieram juntos de São Paulo. “Ela se identifica como namorada dele, mas veio de São Paulo e estamos tentando fazer contato com a mãe porque ela se encontra em uma situação de vulnerabilidade. Ela é menor e não sabemos se a mãe dela sabe que ela está aqui”.
Nery explicou ainda que caso a menor tenha menos de 14 anos, Jonathan também pode responder por estupro. “Vamos verificar se ela realmente tem 16 anos ou se é menos. Se for menor de 14 anos e for demonstrado através de outras provas, configura-se até um estupro de vulnerável. Mas a gente acredita que pela compleição física ela seja maior de 14 anos. Ela está aqui sem um documento que prove que eles se relacionam ou não”.
O Portal 27 ouviu Jonathan que confessou ser o dono da arma e das drogas. “Roubaram lá do lado e não sei quem roubou. Eu tinha essas drogas aí que eu mesmo fiz. Eles chegaram e perguntaram se eu sabia sobre o roubo, mas ele viu o meio jeito de nervoso e perguntou se eu tinha alguma coisa. Eles viram um pouco de maconha em cima da mesa e falei que tinha uma arma e vi que não tinha jeito de esconder isso aí. Para não piorar meu lado falei que no outro quarto tinha esse tanto de drogas”.

Segundo ele, os quase 2 mil pinos juntos pesam cerca de quatro quilos de cocaína e cada quilo foi comprado por R$ 4.000,00. Mas, cada pino tem dois gramas da droga e a unidade seria vendida por R$ 50,00, ou seja, se todos os pinos fosse vendidos ele faturaria aproximadamente R$ 100.000,00.
Jonathan contou que é de Guarapari, mas morou 6 anos em São Paulo e que veio passar o aniversário na cidade. “Nunca tinha vindo passar meu aniversário aqui porque não tinha condições, a família é pobre. Fui para São Paulo e arrumei uma mulher lá com quem tive dois filhos. Nós sofremos muito e depois que larguei ela, entrei no crime porque tinha que dar as coisas para os meus filhos e pagar aluguel para mim. Mas trabalhando de servente de pedreiro eu não conseguia. Às vezes eu trabalhava e os outros nem me pagavam então decidi tentar fazer alguma coisa para ganhar um dinheiro e dar uma melhorada de vida, mas aconteceu isso aí”.
Ele disse ainda que nunca havia sido preso antes, estava vendendo drogas há duas semanas e que está arrependido. “Eu estava desempregado e tenho dois filhos, uma que nem me conheceu ainda e um filho de dois anos que deve estar morrendo de saudades de mim lá em São Paulo, mas Deus sabe de todas as coisas e se estou passando por isso, é para eu aprender. Estou bastante arrependido, mas também estava ciente de que a qualquer momento isso poderia acontecer comigo porque falta de aviso não foi”.
Segundo o delegado Marcos Nery, Jonathan vai responder por tráfico de drogas, cuja a pena varia entre 5 e 15 anos, e posse de arma de fogo de uso permitido com pena de até 3 anos.










