Empresários, comerciantes e políticos de diversas cidades se reuniram na manhã de hoje no plenário da Câmara Municipal de Anchieta para discutir as consequências da paralisação das operações da Samarco Mineração.

O evento foi organizado por diversas entidades ligadas às empresas que prestavam serviços para a mineradora, que desde o dia 05 de novembro, paralisou suas operações por causa do rompimento de uma barreira de rejeitos de mineração na cidade mineira de Mariana, Minas Gerais.

O plenário da Câmara ficou lotado de empresários, moradores e comerciantes da região. Foto: João Thomazelli/Portal 27
O plenário da Câmara ficou lotado de empresários, moradores e comerciantes da região. Foto: João Thomazelli/Portal 27

“A sociedade brasileira e em especial a capixaba ficou muito traumatizada com a tragédia da Samarco. Num primeiro momento todo mundo mobilizado, ajudando as vítimas e depois viu que a vida segue normal e que temos que trabalhar e não podemos ficar imobilizados esperando que as coisas aconteçam. Este evento teve como finalidade também constituir uma comissão que, em nome de todos, tomar ações para que as operações da Samarco voltem o mais rápido possível”, explicou Durval Vieira de Freitas, que tem uma empresa de consultoria.

Além da palestra de Durval, várias pessoas discursaram durante o encontro, entre elas o Deputado Federal Evair de Melo, que faz parte da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal. “Nos defendemos uma punição exemplar para a Samarco, mas a vida não pode parar. É preciso trabalhar em todas as frentes, mas é preciso ter coragem para isso”, declarou o deputado.

O deputado federal Evair de Melo também participou do encontro. Foto: João Thomazelli/Portal 27
O deputado federal Evair de Melo também participou do encontro. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Gibson Reggiani, primeiro vice presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), fez uma previsão para o que pode ocorrer na região, caso a Samarco não volte a operar. “Esta região do Espírito Santo exportava pelotas de minério, mas se a Samarco não voltar a operar, vai exportar miséria, pois muitas famílias que dependem diretamente desta empresa não terão o que comer. O desmantelamento desta empresa é o mesmo que desmantelar famílias que hoje dependem delas e toda uma geração que está por vir”, disse.

O prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, Carlos Casteglione, também esteve no encontro. “Minha vinda ao encontro se deu porque, mesmo esta paralisação sendo temporária, ela causa uma repercussão econômica e social bastante significativa para o município de Cachoeiro. Cerca de 80 empresas de Cachoeiro estão envolvidas direta ou indiretamente com a Samarco Mineração”.

Carlos Casteglione: "Cerca de 80 empresas de Cachoeiro sofreram com a paralisação da Samarco". foto: João Thomazelli/Portal 27
Carlos Casteglione: “Cerca de 80 empresas de Cachoeiro sofreram com a paralisação da Samarco”. foto: João Thomazelli/Portal 27

O prefeito de Anchieta não compareceu ao evento porque tinha uma reunião agendada no Tribunal de Contas. Já o prefeito de Piúma estava no velório do vereador que morreu na madrugada de ontem e o prefeito de Guarapari tinha uma reunião pré-agendada no mesmo horário e também não pode comparecer.

No fim da reunião ficou acordado que uma comissão será formada para se trabalhar em favor da retomada das operações da Samarco. A comissão será formada por um representante da inciativa privada e um do poder público dos municípios de Anchieta, Guarapari, Piúma e Cachoeiro de Itapemirim.