Famílias perdem alimentos, móveis e eletrodomésticos após chuvas em Guarapari

As chuvas desta madrugada terça-feira (16), causaram danos em toda Guarapari. Moradores dos bairros  Itapebussu e Camurugi tiveram móveis e eletrodomésticos atingidos pelas águas de chuvas que inundaram as casas.

Camurugi. Na Rua Manaus, a casa de Ana Paula Araújo Gaida foi inundada e permanece alagada. Como a água ainda não escoou, Ana Paula não conseguiu contabilizar todo estrago. Mas já sabe que perdeu duas camas, estante, sofá, televisão, e ainda seus armários de cozinha com toda compra do mês.

A água tomou conta da acasa de Ana Paula, na Rua Manaus do bairro Camurugi. Foto: arquivo pessoal.

“Coloquei para cima o sofá, mas acredito que não vá dar para recuperar, e também geladeira e fogão, de resto acredito que não salvou nada. Meus dois armários desabaram, e toda a compra do mês foi perdida, tudo boiando em água de esgoto”, fala.

Ana Paula conta que em mais de 12 horas, a água ainda não abaixou. “Acordei 3h20 com a água batendo no joelho. E até agora ele não diminuiu nem um centímetro. Toda vez que chove a rua fica alagada, mas nunca chegou a entrar água dentro das casas. A minha casa e de mais 2 vizinhas, que são mais baixas, que foram mais atingidas. Uma delas tem o marido acamado, e ele teve que ficar na cama mesmo com a água subindo”, comenta.

Na Rua Manaus, um homem acamado teve permanecer deitado enquanto a água subia. Foto: arquivo pessoal.

Que fala ainda. “Estou completamente desesperada. Já chorei muito, não sei o que fazer, não estou nem conseguindo pensar. Essa noite vou para a casa do meu cunhado. É muito difícil ver tudo que construímos com tanto suor se perder tão rápido”, diz.

Itapebussu. Sandra Mansur,  é moradora da Avenida F, e conta que um móvel e eletrodomésticos foram atingidos pela água. “O meu guarda-roupas quebrou. A água subiu e molhou, como é madeira estragou mesmo. Quando fui tirar ele do lugar, vi que a parte de baixo dele estava toda danificada e fiquei com medo de mexer mais e ele cair todo. E como a água se concentrou na cozinha, entrou também na minha geladeira e freezer, até tentei tirar de lá, mas era muito pesado”, fala.

Além do prejuízo com os móveis, Sandra perdeu também alguns salgados que estavam preparados para a venda. “Foram cerca de 10 bandejas de pizzas e 400 salgados. Mas o prejuízo maior é acordar de madrugada, com água de esgoto em casa, passando mal com gripe forte e ter que limpar essa água suja de casa”, lamenta.

Ela fala que o nível da rua é superior às casas, e por isso sempre que chove provoca alagamentos. “Quando asfaltaram aqui deixaram a rua mais alta que o nível das casas. É só chover que fica tudo alagado. E ainda tenho a informação que a tubulação do esgoto é ligada no local errado, então toda vez que chove, a caixa enche e aquela água de esgoto volta e entra nas nossas casas”, comenta.

A salgadeira, inclusive, estava reformando sua casa para tentar evitar esses transtornos. “Estou colocando meu piso 10 centímetros a cima do nível da rua, para ver se assim a água não entra. Infelizmente a cozinha era o único cômodo que ainda não tinha sido reformado e onde mais teve estragos”, diz.

Sandra já está se preparando para mais uma noite de alagamentos. “ Estou acordada desde às 02h da manhã tentando tirar a água. E já estou pensando na próxima, tem previsão de mais chuvas nesta noite, que será longa” conclui.

O Portal 27 procurou  a Prefeitura, que através de nota, informou que “Uma vez que o projeto de drenagem pluvial foi executado de forma a atender o escoamento pleno de águas da chuva, este volume extra (esgoto clandestino) não é acolhido pela rede, ocorrendo o transbordo e o retorno para casas que estão ligadas de forma irregular na rede. Outro problema verificado é que as construções que encontram-se abaixo do nível da rua não foram executadas de forma correta, ou seja, tiveram projetos apresentados e aprovados pela Prefeitura, de modo a respeitar o alinhamento e grid previstos em legislação.

A Secretaria de Meio Ambiente irá realizar uma vistoria juntamente com a CESAN no local, visando identificar o lançamento clandestino de esgoto “in natura” na rede destinada apenas ao escoamento de águas da chuva.

Chuvas
A Defesa Civil do Espírito Santo informou que os maiores acumulados de chuva nas últimas 24 horas foram registrados em Vitória (138,21 mm), Vila Velha (127,49 mm), Serra (109,6 mm), Guarapari (108,59 mm), ou seja, Guarapari foi a 4ª cidade mais atingida.

Mesmo com os transtornos, as redes de drenagem do município estão funcionando normalmente, porém, a chuva registrada em Guarapari entre a madrugada e a manhã desta segunda-feira (16), já é maior que o volume esperado para o mês inteiro de abril.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) emitiu um aviso de atenção para todo o Espírito Santo por causa das chuvas até a meia noite desta segunda-feira (16).  O alerta do Inpe traz a previsão de um volume de chuva significativo no estado e vale para 41 municípios capixabas”, alertou a Prefeitura. 

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