O caso ocorreu na tarde da última quarta-feira (20), no supermercado Casagrande, em Guarapari, e foi contado pelo padre Manoel David, 60, que disse se sentir muito incomodado com a situação e publicou um desabafo nas redes sociais. O padre também falou que, para testar até onde iria o segurança, ficou andando por todo o supermercado propositalmente.

“Eu entrei de boné, bermuda, camiseta, máscara e sandálias como é normal em uma cidade turística. Então notei que o segurança do local estava me seguindo. Foi então que eu rodei todo o supermercado propositadamente para comprovar que ele me seguia. E assim foi. Me seguiu até o caixa onde eu falei que eu não era bandido e que iria pagar as compras, joguei o boné no caixa e me apresentei como padre”, disse Manoel, que mostrou sua identidade sacerdotal.

Segundo o padre, neste momento os supervisores vieram e afastaram o segurança e se desculparam pelo ocorrido. Muitos funcionários inclusive lembraram do padre que trabalhou no bairro Aeroporto, onde fica o supermercado, por vários anos.

O padre Manoel David atuou por 15 anos na cidade.

“O que aconteceu comigo é um alerta para a sociedade. Eu estava de roupas simples, de boné, estava barbudo e sou negro. Esse é um preconceito cultural de nossa sociedade. Considero racismo sim. Isso está entranhado nessa cultura e no senso comum. Se eu estivesse de batina ou de com minha camisa clerical, certamente isso não teria acontecido”, contou Manoel.

Que continuou. “Eu entendo que é a função dele vigiar. Bandido não tem estrela na testa. Mas qualquer gesto meu em falso, poderia ter sofrido alguma coisa. Mas é preciso que a empresa prepare melhor esses funcionários. Pois podem acontecer coisas como ocorreu em um supermercado de Porto Alegre.”

O padre finalizou falando que não pretende entrar na justiça, e espera que com a repercussão, a empresa passe a oferecer treinamento especial para os seguranças e a equipe.

“Não penso em entrar com nenhuma ação nua justiça ainda. Acho que a repercussão em si já poderá ajudar as pessoas que querem e não sabem se defender. Pessoas comuns que não sabem os seus direitos e vivem o preconceito diariamente. Eu vivi um sentimento de indignação e quero que as pessoas possam tomar consciência deste tipo de coisa. Se eu estivesse engravatado isso não teria acontecido. Espero uma mudança de comportamento da empresa, para que ela possa saber lidar com o público”, disse.

O outro lado

O Portal 27 entrou em contato com a assessoria de imprensa dos supermercados Casagrande, que direcionou o caso para o departamento de marketing. Por meio de nota, o diretor de marketing, Eduardo Casagrande, afirmou que irá avaliar as imagens e que a empresa condena qualquer prática de racismo.

Confira a nota:

“A empresa vai avaliar as imagens do monitoramento para avaliar sobre a conduta do colaborador, afinal, o Padre afirma que foi vítima de racismo por parte do colaborador. Tal prática é veementemente condenada pela empresa. Qualquer tipo de preconceito é condenado pela empresa.”

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