A Operação Dolly de Aço realizada pela Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) resultou na prisão de Josué Pereira da Silva, de 46 anos, Carlos Augusto Nascimento Souza, de 36 anos, Luiz Carlos Heitor, de 54 anos, Gustavo Porto Campos, de 21 anos, e seu pai Djalma Braz Campos, de 48 anos, nesta quarta-feira (06). As prisões foram realizadas para o cumprimento de mandado de prisão preventiva para a investigação de organização criminosa e receptação de produtos de furto e roubo.

O delegado da Depatri, Marcos Nery explicou que a operação teve início em Apiacá e vem sendo realizada há 4 meses. Segundo ele, ao todo foram presas 12 pessoas, sendo 5 em Presidente Kennedy, 2 em Cachoeiro e 5 na região entre Mãe-Bá, Anchieta, Iriri e Condados. “É uma investigação para apurar crimes de estelionato, fraudes documentais, furtos e roubos de veículos em nossa comarca e região, disse o delegado.

Luiz Carlos Heitor, Djalma Braz Campos, Gustavo Porto Campos, Josué Pereira da Silva e Carlos Augusto Nascimento. (Dá esquerda para a direita). Foto: Rafaela Patrício

Nery disse ainda que a investigação surgiu após um furto no Detran de Anchieta “Quem é de Guarapari sabe que, infelizmente, em nossa comarca e região tem vários estelionatários e um deles é o Djalma, que já tinha sido preso em outras ocasiões. Teve um roubo no Detran de Anchieta em que foram levados vários espelhos de documentos de veículos e esses documentos poderiam ser utilizados por quadrilhas especializadas em preenchimentos para serem utilizados em fraudes, clonagens de veículos, fraudes em seguradoras, falsificação de documentos entre outros”.

Com os presos foram apreendidas diversas carteiras de identidades falsas, carimbos de cartório e 35 espelhos do Detran sem o preenchimento. Segundo o delegado, cada um dos espelhos era preenchido de acordo com a encomenda e vendido entre R$ 1.000,00 e 1.500,00.  

Ele também afirmou que Djalma é o líder da quadrilha, que entre os crimes praticados fraudava seguros de veículos. “ Nós constatamos que o Djalma é o chefe e conseguiu convencer o filho de praticar esse tipo de crime. Eles são responsáveis por comprar veículos de furto e roubo, ajudam pessoas que querem fraudar o seguro comprando o carro delas e fazem dublê desses veículos. Então a pessoa que tem um veículo e queria receber o dinheiro do seguro procurava o Djalma e ele efetuava um pagamento de R$ 2 mil pelo veículo e oferecia o serviço de sumir com ele. Com o tempo ele ou vendia as peças ou clonava o veículo e o seguro acabava sendo pago para o proprietário do veículo”.

Com o bando a polícia encontro diversos documentos falsos e 35 espelhos do Dentran sem preenchimento. Foto: Rafaela Patrício

 “Além disso, conseguimos identificar a fraude de outros documentos como certidões, carimbos e selos de cartório, carteira de trabalho entre tantas outras fraudes que identificamos e ainda vamos apurar pelo grande número de documentos que apreendemos”, explicou Nery.

O delegado também relatou como a quadrilha atuava. “Djalma era o chefe e responsável por toda a negociação. Ele adquiria os veículos e recebia os pedidos de documentação. O filho dele era o responsável também por receber esses pedidos, comprar carro e revender, adulterar os vidros de veículos, procurar quem fazia a clonagem dos carros e revende-los. O Josué é um estelionatário que utiliza o serviço do Djalma para falsificação de documentos de terrenos e também para veículos Pokemons, em que eles utilizam laranjas ou documentos falsos como comprovantes de endereço e identidades e conseguem fazer o financiamento do veículo em um banco. Esse veículo não vai ser pago, mas tem um documento e fica com uma alienação financiada, mas não é produto de furto e roubo. Então a pessoa anda com ele até o momento em que o banco for cumprir o mandado de busca e apreensão pelo bem ser alienado”. 

De acordo com o delegado, Luiz Carlos e Carlos Augusto tinham uma participação mais modesta. “O senhor Luiz e o Carlos eram motoristas. Eles eram os responsáveis por fazer o transporte para o Djalma e fazer os pagamentos. Já em Presidente Kennedy Djalma utilizava um terceiro como se fosse um funcionário dele para fazer toda essa intermediação”.

Durante a Operação Dolly de Aço outras cinco pessoas foram presas em Presidente Kennedy e duas em Cachoeiro. Foto: whatsapp

Além da prisão da quadrilha, a Operação Dolly de Aço também recuperou veículos roubados ou furtados. “Ao longo da operação foram cerca de 15 veículos recuperados e identificados. A gente sabe que tem mais e agora é analisar toda a prova pericial que vamos conseguir ter através dos computadores para tentar localizar o restante dos veículos”.

Autuações. Segundo Nery, os cinco presos vão responder por diversos crimes. “Provavelmente, eles vão ser indiciados na organização criminosa, falsificação de documentos, receptação e os crimes que ainda vamos apurar. Eles vão ficar presos e temos que somar as penas que vamos apresentar o juiz para o indiciamento e também determinar a participação de cada um porque eles devem responder pelo crime na medida de sua culpabilidade”.

Passagens:

Carlos Augusto Nascimento- Ficou preso por 16 dias e saiu da cadeia nesta terça-feira (05).

Djalma Braz Campos – Preso três vezes, sendo uma por receptação e duas por estelionato.

Josué Pereira da Silva – Tem passagem por estelionato e receptação. 

Gustavo- É técnico ambiental e foi preso pela primeira vez.

Luiz Carlos Heitor – Preso pela primeira vez.