Há tempos que o problema no Brasil é de responsabilidade. Responsabilidade tomada em seu sentido mais amplo: responder pelos atos gerados. Parece que o que prevalece nesse país é um jogo de empurra de responsabilidades decrescente, que tem início no senado, perpassa as mais variadas empresas e órgãos nacionais e cai sempre nas costas do cidadão ou do consumidor, compactuando, assim, com o dito popular de que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. As agências bancárias, por exemplo, que disseminam seus milhares de reais em minutos pagos nas mais diversas mídias, são incapazes de pagar quem opere com competência o seu próprio sistema.

Quem já não ouviu alguma dessas frases?_ “o sistema caiu senhora”; _ “Não sabemos quando o sistema voltará a operar;” _ “Basta que o senhor espere na fila até que o sistema volte.” O que dizer então do nosso sistema prisional, nascido com o intuito de recuperar, aliena. E os três poderes que nos regem enquanto brasileiros? Legislativo, executivo e judiciário, sustentados teoricamente no ideal de equilíbrio entre os poderes para que o sistema presidencialista faça valer o Estado Democrático de Direito, se corrompe e se perde em meio a um sistema em que a burocracia insiste em imperar. E quem dá um basta no sistema? Quem responde por ele? Egocêntrico para não dizer sistemático, ele ganha vida própria e se comporta como criança mimada que tem a certeza de que o universo gira em torno do seu próprio umbigo infantilizado.

Eis aqui o problema dos muitos sistemas que regem o Brasil: a imaturidade. Mas não aquela que acompanha um processo cotidiano e esperado de evolução, em que o passar dos anos se une às experiências sadias. A imaturidade no Brasil parece ser inerente ao status de nação brasileira. A nossa independência surge de um grito rouco dado em meio às pressões internas e externas e, parece que desde aí, desde o nascimento, não aprendemos como efetivamente soltar a voz e engolimos a seco toda a inoperância de um sistema que não deveria nos calar. Assim, meio sem voz, vamos contando nossa história enquanto brasileiros. Não há quem tampe os muitos buracos abertos ao longo de séculos, não há quem resolva as nossas cotidianas enchentes: Um sistema de saúde único e falido, um sistema educacional que deseduca, um sistema político que corrompe. E, quem muda o curso do sistema? Quem cura o sistema? Quais medicamentos usar? E será que a conta pelo uso dos medicamentos caberá também a nós pagar?

Texto: Lilian Paula Serra e Deus

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