O verão acabou, mas o grande movimento de turistas na cidade trouxe de volta uma grande discussão, a regulamentação das casas de aluguel.  O assunto é polêmico, mas a solução parece estar próxima. É que nesta sexta-feira (02)  representantes dos hotéis e dos imóveis de aluguel aproveitaram uma reunião com a prefeitura e discutiram o assunto.

Reunião entre representantes do setor hoteleiro e imóveis de aluguel com a secretária de Meio Ambiente e Agricultura, Thereza Christina, em que foi discutida a regulamentação dos imóveis de aluguel.

Regulamentação. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis do Espírito Santo (ABIH-ES), Gustavo Guimarães, defende a regulamentação e afirmou que qualquer meio de hospedagem é uma prestação de serviço turístico e deve ser regulamentado para não trazer prejuízos para a cidade, para o turista e para o imóvel. “Queremos exclusivamente a regulamentação. Não queremos proibir as casa de aluguel, até porque Guarapari começou dessa forma”, explica.

Gustavo GuimarãesFoto: Gessika Avila/Portal 27

Ele ressaltou que os imóveis de aluguel que recebem mais pessoas do que suas capacidades geram transtornos para o município. “Um imóvel  habitado bem acima de sua capacidade de acomodação gera um consumo fora da estrutura que ele foi preparado. Por exemplo, gera mais esgoto, consome mais água e consequentemente causa a falta de água  no bairro periférico. O que nós defendemos é que haja uma regulamentação para que todo mundo possa ganhar. Quando o proprietário aluga um imóvel para quatro pessoas e mais gente vai chegando, ele também é prejudicado porquê o imóvel vai ter um desgaste”.

APIGUAPA. Segundo o presidente da Associação dos Proprietários de Imóveis Para Aluguel de Guarapari (APIGUAPA), Alexandre Valim Machado, os 300 imóveis que fazem parte da associação não recebem mais pessoas do que estão capacitados. Ele também rebateu a crítica de que os ônibus de turismo causam a superlotação da cidade. “Segundo o dado da Secretaria de Turismo, no réveillon foram catalogados 1.100 ônibus em Guarapari e 800 mil turistas. Isto quer dizer que os ônibus não representam 7% da demanda de turistas. Em uma situação hipotética em que não entrasse mais ônibus na cidade, teríamos 94% de turistas e continua existindo o problema do esgoto, de água e de luz. Então a primeira barreira a ser quebrada é dizer que o ônibus prejudica a nossa infraestrutura”, disse Alexandre.

Alexandre Valim Machado

O presidente da APIGUAPA também disse que a associação concorda em criar regras para o serviço. “Somos favoráveis em um tipo de controle, mas não transformar as casas em empresas porquê se criar uma pessoa jurídica com todos aqueles impostos, provavelmente as casas de aluguel irão acabar. Mas, gostaria de lembrar que já pagamos impostos como IPTU e Imposto de Renda que são pertencentes ao inquilinato”.

Reunião. Na reunião os representantes das duas entidades apresentaram seus pontos de vista e decidiram realizar a ordenação dos imóveis em conjunto. O presidente da APIGUAPA relatou que apresentou os dados que mostram que os ônibus de turismo não são os únicos causadores da superlotação da cidade e que foi compreendido pelos demais.

Alexandre disse ainda que a associação vai ganhar uma cadeira no Conselho Municipal de Turismo (Comtur) e disse está satisfeito com o resultado da conversa. “Foi uma reunião proveitosa para ambos os lados e para a cidade. Houve o  reconhecimento que são outras demandas que prejudicam a cidade e vamos trabalhar isso com eles. Também precisa haver o ordenamento dos imóveis de aluguel e nisso vamos trabalhar em conjunto”.

O presidente da ABIH-ES, Gustavo Guimarães,  afirmou que com a conversa percebeu que ambos setores tem o mesmo objetivo. “Foi uma conversa muito proveitosa, aparou algumas arestas e mal-entendimentos. Identificamos que temos o mesmo objetivo, que é o desenvolvimento do turismo da cidade e a organização dessa atividade em uma forma em que todo mundo ganhe”.

Gustavo ressaltou que ainda não foi definido nenhum acordo entre os setores e que novas reuniões devem acontecer. “A proposta agora é que a gente parta de uma base e a partir daí construir uma proposta que possa ser apresentada ao poder público dentro da expectativa de desenvolvimento do turismo de Guarapari”.

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