O “PRECIOSO”

Colocando-se todas as preciosidades que existem entre o céu e a terra, absolutamente todas, nada custaria mais caro do que alguns pedacinhos de tempo regados a um suculento molho de “aqui e agora”. Em alguns casos, celebridades acostumadas ao melhor caviar e pedrarias reluzentes são consideradas meros mendigos se comparados com a fortuna que teriam de ter para apreciar tão apetitosa iguaria. E para o desespero destes desafortunados lê-se um provérbio francês: “Quem ganha tempo ganha tudo”.
HÁ UMA FORTUNA DE “TEMPO” QUE JOGAMOS TODOS OS DIAS EM NOSSAS LIXEIRAS, MAS QUE JAMAIS A RECICLAREMOS – ESTÁ É A PARTE DE NOSSAS VIDAS EM QUE INEXISTE A “ESPERANÇA”.

A PERGUNTA FILOSOFAL

Considerando que a vida presenteia-nos logo na largada do nascimento com uma porção mágica de grandes pedaços de tempo e que com os dias vão se tornando cada vez mais escassos; é de se perguntar então, quem estaria roubando-nos estes deliciosos e inebriantes favos de mel divinos?

AS ARMADILHAS

Machado de Assis, nosso escritor maior, na tentativa de responder a tal colossal e perseguidora indagação quase desfilou uma vitoriosa resposta: “Não é a ocasião que faz o ladrão; o provérbio está errado. A forma exata deve ser esta: a ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito”. Errados estão o provérbio e Machado de Assis, a ocasião e o ladrão fazemos nós. Seria ainda mais correto dizer que a vida é uma vivência de roubos, uma sequência de miseráveis saques à mão armada por incontáveis artifícios da habilidosa arte de enganar, enganar-se e ser enganado – a vitória solista da matéria só não é mais esmagadora porque não conseguimos enganar o tempo.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Reconhecer-se derrotado por tantos exercícios materialistas que nos cobram mais e mais riquezas (e consomem mais e mais tempo…) não configura fracasso. Ao contrário, é o primeiro passo, um GRANDE PASSO para reconstruir a trilha que nos leva diretamente aos PEDAÇOS DE TEMPO mais valiosos e roubados por nós mesmos. – AQUELES PEDAÇOS DE AMOR QUE MAL TEMOS TEMPO PARA COMPARTILHAR COM A FAMÍLIA, AMIGOS…

QUAL É O SEU LADRÃO?

Com qual ladrão vestimos nossas desculpas e ocasiões? Responder a esta entrincheirada e silenciosa voz parece ser o único caminho possível para descobrir a natureza de nossas angústias. Como numa atitude maniqueísta, duas são as possibilidades: Vestimo-nos como Gestas ou Dimas, os dois ladrões mais famosos da história.
Entre o Cristo crucificado a iluminar caminhos todos os dias, há a escolha de ouvir Gestas, o ladrão arrogante do lado direito – mesmo com tantas evidências de sua morte, ainda tenta enganar o tempo, desafia estupidamente o Senhor da Vida e da Morte a provar seus poderes: “Não és TU o Messias? Salva-te a TÍ Mesmo e a nós”. (Lc 23,39); ou refletir como fez Dimas, o ladrão da esquerda – o tempo já está no seu último suspiro, nada mais é possível senão dizer: “SENHOR, LEMBRAI-VOS DE MIM QUANDO ENTRASTE EM VOSSO REINO”. Pelo que concorda o Mestre: “… Em verdade te digo HOJE: estarás Comigo no paraíso.” (Lucas 23:43).

PONTO FINAL… O TEMPO ACAB…

Para clarificar a mente só ouvindo esta observação de Shakespeare: “Os ladrões (os outros) têm o direito de roubar (roubar-nos), quando os próprios juízes (nós) dão o exemplo”. Ponto final, o tempo acabou… Vestir-se de Dimas ou Gestas eis a questão!

PRAINHA DO RIBEIRO (Morro do Moreno) - foi aqui que residiu o primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho. AQUI O TEMPO PARECE PARAR!!!
PRAINHA DO RIBEIRO (Morro do Moreno) – foi aqui que residiu o primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho. AQUI O TEMPO PARECE PARAR!!!
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