Transação de R$ 35 milhões: PF suspeita que Dias Toffoli seja beneficiário final de fundo em paraíso fiscal no Caribe

Documento cita transação de R$ 35 milhões vinculada ao ex-controlador do Banco Master; gabinete do ministro nega irregularidades e afirma que caso foi arquivado.

Um relatório da Polícia Federal (PF), revelado pela revista piauí e confirmado pelo jornal O Estado de S. Paulo, aponta indícios de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli possa ser o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen.

De acordo com o documento policial, o fundo recebeu um repasse de R$ 35 milhões oriundo de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A apuração aponta que os valores teriam sido transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal situado no Caribe, por meio de uma operação financeira intermediada pela holding Egide I.

A Rota dos Recursos e o Resort no Paraná

A investigação da Polícia Federal reconstituiu a movimentação dos ativos associados ao fundo e identificou transações envolvendo participações imobiliárias:

  1. Sociedade em Resort: O fundo Arleen detinha participação societária no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná, empreendimento no qual a empresa Maridt — pertencente à família de Toffoli — possuía cotas.

  2. Mudança de Controle: O fundo era originalmente controlado por Vorcaro e, posteriormente, mudou de titularidade, sendo assumido por um empresário ligado ao ministro do STF.

  3. Transferência para o Exterior: Meses após a alteração no quadro de proprietários, os ativos do fundo foram transferidos para a offshore no Caribe.

  4. Aquisição de Cotas: A empresa Maridt vendeu parcela de suas cotas nos resorts a fundos geridos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Contraponto e Posição do Gabinete do Ministro

Procurado para manifestar-se sobre o teor do documento, o gabinete do ministro Dias Toffoli negou categoricamente qualquer irregularidade ou posse de ativos fora do país:

  • Arquivamento e Trânsito em Julgado: O gabinete ressaltou que o relatório em questão já foi formalmente arquivado pela Justiça, com decisão definitiva (trânsito em julgado).

  • Negação de Contas no Exterior: Reiterou que o ministro “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que jamais realizou operações financeiras nas Ilhas Virgens Britânicas.

  • Transparência Fiscal: Explicou que a venda de cotas da empresa Maridt ao Fundo Arleen ocorreu em 2021, que os valores negociados nunca totalizaram R$ 35 milhões e que todas as operações financeiras e contratuais foram devidamente declaradas à Receita Federal e à Junta Comercial.

  • Relação com o Ex-Banqueiro: O ministro já havia afirmado anteriormente não ter laços de amizade com Daniel Vorcaro nem ter recebido valores do empresário.

Resumo das Informações

ItemDetalhes
Alvo da SuspeitaMinistro Dias Toffoli (STF)
DocumentoRelatório da Polícia Federal
Fundo InvestigadoFIP Arleen (com ativos transferidos às Ilhas Virgens Britânicas)
Origem apontada dos R$ 35 miDaniel Vorcaro (ex-controlador do Banco Master)
Empreendimento VinculadoRede de resorts Tayayá (Paraná)
Posição da DefesaNega contas no exterior; afirma que o processo está arquivado e declarado à Receita

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