Metanol em bebidas: Espírito Santo não registra casos de intoxicação, mas vigilância é reforçada pela Sesa

O Espírito Santo ainda não registrou casos de intoxicação por metanol, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No entanto, a preocupação com a contaminação de bebidas alcoólicas com esse álcool tóxico tem crescido no Brasil, com mortes e dezenas de casos sob investigação em diversas regiões.

O metanol, substância altamente tóxica, é comumente usado de forma ilegal para adulterar bebidas como gim, uísque e vodca. A intoxicação por metanol pode causar efeitos devastadores, incluindo cegueira permanente e até morte, e os primeiros sintomas geralmente surgem poucas horas após o consumo. Entre os sinais da intoxicação estão náuseas, vômitos, dor abdominal, dor de cabeça intensa, tontura, alterações visuais, respiração acelerada, convulsões e perda de consciência.

Investigação federal apura possível envolvimento do PCC na distribuição de bebidas adulteradas em diversos estados.

De acordo com a Sesa, a contaminação com metanol não foi registrada no Espírito Santo até o momento. Contudo, o órgão reforça a importância de consumir apenas bebidas alcoólicas de origem confiável, com rótulo e registro, adquiridas em estabelecimentos idôneos.

A Secretaria também orienta que, em caso de suspeita de intoxicação, a vítima procure imediatamente um serviço de saúde e, se possível, leve uma amostra ou embalagem da bebida ingerida para análise. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Espírito Santo (CIATox/ES) está disponível para orientações pelo telefone 0800 283 9904.

Investigação Federal

O Ministério da Saúde e a Polícia Federal estão investigando uma possível rede de distribuição de bebidas adulteradas com metanol. O governo federal anunciou a abertura de um inquérito para apurar os casos, especialmente após indícios de que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) poderia estar envolvida no esquema.

Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), há suspeitas de que o PCC esteja por trás da distribuição de bebidas contaminadas, uma operação que estaria se expandindo para além do estado de São Paulo. Até a última atualização, São Paulo registrava 22 casos de intoxicação por metanol, com sete mortes confirmadas e outros 15 casos em investigação.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comentou sobre o caso, afirmando que, devido à abrangência da distribuição, a Polícia Federal assumiu a investigação, dada a natureza interestadual do crime.

Atenção redobrada

A Sesa alerta a população sobre os riscos do consumo de bebidas de origem duvidosa e destaca que a ingestão de metanol, mesmo em pequenas quantidades, pode ter consequências gravíssimas. Para evitar situações de risco, a recomendação é que as pessoas comprem produtos com procedência comprovada, e que se mantenham vigilantes quanto à qualidade e origem das bebidas consumidas.

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João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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