Mulher é presa em Guarapari após polícia encontrar criança e animais em ambiente degradante

Uma operação conjunta realizada na quarta-feira (1º) no bairro Santa Rosa, em Guarapari, resultou no resgate de uma criança de 8 anos e de vários animais que viviam em condições extremas de insalubridade e maus-tratos. A ação foi motivada por uma situação que persistia há mais de cinco anos e contou com a participação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-Tratos aos Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, da Polícia Civil, da Gerência de Bem-Estar Animal da Prefeitura de Guarapari, do Centro de Controle de Zoonoses e do Conselho Tutelar.

No imóvel, uma mulher de 30 anos, apontada como responsável pelo local, foi presa em flagrante. Os policiais também apreenderam duas armas de fogo na residência: dois revólveres de calibres .38 e .32.

De acordo com a Polícia Civil, a criança foi localizada em meio à sujeira e cercada por animais debilitados, exposta a severos riscos físicos e sanitários. Após ser retirada do ambiente, ela foi acolhida pelo Conselho Tutelar, que passou a acompanhar o caso. O delegado da Delegacia de Polícia de Guarapari, Rodrigo Peçanha, ressaltou o impacto da ocorrência, afirmando que, em muitos anos de carreira na instituição, nunca havia presenciado uma situação tão grave, descrevendo a casa como completamente tomada por sujeira, insetos e um forte odor.

Durante a fiscalização, as equipes resgataram sete cães, quatro gatos e diversas aves vivendo em condições altamente precárias. O médico-veterinário da CPI, João Victor Torres, detalhou que foram encontrados indícios de que as aves eram utilizadas em rinhas, incluindo galos com lesões nas pernas, esporas artificiais e medicamentos comumente aplicados pós-combates. Adicionalmente, um dos gatos apresentava sintomas compatíveis com esporotricose — uma doença transmissível a seres humanos e outros animais.

Todos os animais foram retirados da casa e encaminhados para avaliação clínica e atendimento veterinário, onde permanecerão sob acompanhamento até a definição dos encaminhamentos legais. A Polícia Civil dará continuidade às investigações para apurar os crimes de maus-tratos, manutenção de aves para rinhas, infrações sanitárias e as condições de vida da criança. O caso também seguirá sob o acompanhamento de órgãos de proteção à infância e do Ministério Público.

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