Fentanil e Cytotec: PF investiga desvio de medicamentos controlados para o crime organizado no ES

O proprietário de uma farmácia localizada em Vitória foi preso pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (3), durante a deflagração da Operação Fentanil II. A ação tem como objetivo desarticular um esquema de desvio e venda ilegal de medicamentos de controle especial, que estariam sendo direcionados a traficantes atuantes na Região Metropolitana e no interior do Espírito Santo.

A investigação teve início a partir de denúncias apontando que o estabelecimento realizava o desvio de medicamentos severamente restritos, como o analgésico Fentanil e o Misoprostol, que é comercialmente conhecido como Cytotec.

Além do comércio clandestino, a Polícia Federal apura se o fentanil desviado estava sendo utilizado por criminosos para a adulteração de drogas como cocaína e crack. De acordo com as autoridades, essa mistura eleva drasticamente a periculosidade dos entorpecentes, maximizando os riscos de intoxicação aguda e de overdose para os usuários.

Flagrante por falta de autorização sanitária

Inicialmente, as equipes de policiais federais se deslocaram até o estabelecimento comercial para cumprir apenas um mandado de busca e apreensão. No entanto, ao fiscalizarem o local, os agentes constataram que a farmácia operava de forma totalmente irregular, sem possuir a autorização sanitária obrigatória para comercializar qualquer tipo de medicamento.

Diante da ausência de alvará legal, o empresário recebeu voz de prisão em flagrante. A PF ressaltou que a participação direta do homem no suposto esquema de desvio de medicamentos controlados ainda permanece sob investigação. Por razões legais, o nome do suspeito e a identidade da farmácia não foram divulgados pelas autoridades.

Próximos passos e penalidades

Durante as buscas no endereço, as equipes da Polícia Federal apreenderam:

  • Aparelhos eletrônicos;

  • Documentos variados;

  • Registros comerciais do estabelecimento;

  • Outros materiais de interesse para a continuidade do inquérito.

Segundo os dados divulgados pela PF, o empresário responderá inicialmente pelo crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

O escopo da investigação aponta ainda que, caso as denúncias iniciais que motivaram a instauração da Operação Fentanil II sejam formalmente confirmadas ao longo do processo, o proprietário também poderá responder judicialmente pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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