Na tarde desta terça-feira (04) um grupo de moradores de Guarapari se reuniu na Praça Irineu José Vicente, conhecida como pracinha do Bradesco, no Centro, para arrecadar assinaturas para um abaixo-assinado contra o alto preço do gás de cozinha na cidade.

Manifestantes se reuniram para recolher assinaturas para o abaixo-assinado contra o preço do gás de cozinha em Guarapari.

O movimento foi organizado pelo grupo “#preço do gás justo já” e a ideia inicial era fazer uma manifestação pacífica até a Câmara Municipal para cobrar das autoridades uma investigação sobre o porquê o gás custa tão caro na cidade, mas como não houve sessão hoje o grupo decidiu apenas colher assinaturas.

A eletricista Ana Paula do Nascimento Silva é uma das administradoras do grupo. Ela afirmou que esperava que mais pessoas participassem do movimento. “Estou decepcionada porque pelo tamanho do grupo que a gente tem era para ter bastante pessoas aqui. Quem compareceu mais foram os donos de depósitos de gás. Parece que as pessoas estão recuando porque a gente recebeu ameaças. Eu mesma recebi uma ameaça por telefone e quando liguei era de um telefone público então algumas pessoas não compareceram por medo, mas eu vim assim mesmo”.

Requerimento do vereador Gilmar Pinheiro sobre a instalação de uma comissão para investigar o elevado preço do gás em Guarapari.

A dona de casa Maria Helena Gaigher foi lá assinar o abaixo-assinado e afirmou que “Na minha família só meu esposo trabalha e economizando o botijão de gás dura dois meses, mas a R$ 70,00 não dá para comprar. Pesa demais, a gente está até pensando em arrumar uma comitiva e ir comprar em Anchieta, mas não acho justo. Se eu sou daqui, tenho que dar preferência aqui na minha cidade, mas nem eles não fazem por onde. A gente tem que correr atrás do preço justo porque a gente ganha pouco”.

“Não tem condições da pessoa ganhar um salário mínimo e comprar uma botija de gás até por R$78,00. Se nos municípios vizinhos é R$ 43,00, porque aqui é tão alto? Não pode porque a gente não aguenta, somos pobres. Pesa muito no bolso porque está tudo muito caro, fica difícil para gente. Quando meu gás acabar vou ser obrigada a recorrer a um vizinho pedindo ajuda para ir comprar em Anchieta porque nem carro para isso tenho”, disse a dona de casa Neide da Silva.

Para o técnico em sonorização e locutor, Robson Rosa Gonçalves o valor do gás é abusivo e uma falta de respeito com os consumidores. “Em Piúma o gás custa R$ 45,00 e aqui R$ 65,00. Alguma coisa está errada e eles tem que se adequar ao preço normal no Estado. Tem que abaixar o preço porque isso é uma falta de respeito ao consumidor. Pesa no bolso de todo mundo. Se pesa no bolso dos mais ricos, imagine dos menos favorecidos que precisam do gás todo mês”.

O cozinheiro Luiz Carlos está cerca de um ano desempregado e também assinou o abaixo-assinado contra o alto preço do gás de cozinha na cidade.

O Luiz Carlos é cozinheiro, está desempregado há quase um ano e também relatou que o alto preço do gás de cozinha complica a vida de quem já passa por dificuldades financeiras causadas pela falta de emprego. Ele também lembrou que a população deve exigir a nota fiscal ao fazer uma compra. “Para mim é um absurdo esse preço do gás em Guarapari, é fora de ética. Os culpados disso tudo também somos nós consumidores que não pedimos nota fiscal. Às vezes a gente até pede e eles não passam. É um absurdo muito grande o gás nas cidades vizinhas custarem entre R$ 43,00 e R$45,00 e aqui chegar até a R$ 71,00. Guarapari é um lugar turístico, mas quem mora aqui são os pobres”.

O João Batista Pinheiro de Araújo é proprietário de um depósito de gás no bairro Jardim Santa Rosa há 10 anos. Ele foi até a praça e afirmou que compra gás de uma distribuidora e revende e que atualmente paga R$ 47,00 pelo produto. “Juntando esse valor com minhas despesas não tenho condição nenhuma de vender ele por menos de R$ 65,00. Na portaria ainda vendo a R$ 60,00 porque isso não me traz despesa com entrega, mas se eu for me basear no custo que tenho esse valor acaba saindo até barato. Agora porque o gás chega para mim a esse preço não tenho uma resposta”.

O Welbert Mendes Rosa também é proprietário de um depósito de gás e afirmou que seu negócio já está passando por dificuldades e não tem como vender mais barato. “Não tenho como abaixar o meu gás para R$ 43,00 e pagar um salário de R$ 1.462,00 para um motorista mais 30% de periculosidade. Vendo cinco mil botijas de gás e estou passando dificuldade para manter os funcionários. Acabei de falar que tenho sete funcionários, mas desculpa porque eu menti. Acabei de mantar 4 embora, só tenho 3 e um está de férias”.

O proprietário de um depósito de gás, Welbert Mendes Rosa explicando as pessoas do grupo que os revendedores compram o produto por R$ 47,00 e por isso, não podem fazer o mesmo preço dos municípios vizinhos.

Ele também afirmou que os preços menores nos municípios vizinhos fazem parte de uma guerra de mercado. “Faço parte de vários grupos de revendedores de gás grande do Brasil, gente que vende 60 toneladas de gás por semana e o que eles têm falado para mim é que isso é guerra de mercado”. Ele também disse que não houve ameaça aos manifestantes.

“Acredito que eles têm o direito deles, mas nesse meio tem muita mentira. Gente dizendo que está sendo ameaçada é mentira. Acho que boicote tudo bem, mas eu estou sendo taxado como pessoa ruim em Guarapari. Briguei com meu gerente e não fui trabalhar nem quinta, nem sexta nem sábado para puxar gás e hoje meu caminhão está lá para dar uma viagem de manhã e outra à tarde e não peguei. Consegui R$ 7,00 de desconto para fazer uma promoção para eles”.

Pedido de investigação do caso pelo Ministério Público protocolado pelo vereador Gilmar Pinheiro.

O vereador Gilmar Pinheiro também esteve presente e afirmou que pretende instaurar uma comissão para investigar o porquê da diferença entre o preço do gás em Guarapari e as cidades vizinhas. “Era um anseio da população, que até criou um grupo e tem muita gente reclamando. Realmente não dá para entender. Se Anchieta vende a R$ 45,00 e Viana R$ 40,00 porque Guarapari vende por R$ 65,00? Será que o imposto aqui é mais caro que lá? Por isso, protocolei um requerimento na Câmara Municipal para tentar criar uma comissão para investigar isso aí”.

O parlamentar também entrou com uma denúncia no Ministério Público pedindo para que o caso seja investigado. “Na verdade, se a pessoa somar o preço do gás, o da energia e o da água, que também está um absurdo, vai sobrar o que do salário do trabalhador? Então acho que realmente passou da hora das pessoas se unirem e buscarem respostas. A gente está ajudando a população sem querer prejudicar ninguém, nem a distribuidora e revendas de gás. Só queremos esclarecer o que está acontecendo por isso, também protocolei um requerimento no Ministério Público pedindo para que as autoridades realmente tomem providências”, finalizou.

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