Hoje é comemorado o dia do prato mais famoso do Espírito Santo, a moqueca capixaba.  A data foi escolhida em homenagem ao jornalista Cacau Monjardim que é autor da famosa frase “Moqueca é capixaba, o resto é peixada”, que faz aniversário no dia 30 de setembro.

O dia 30 de setembro foi escolhido com o Dia da Moqueca Capixaba para homenagear o jornalista Cacau Monjardim, que faz aniversário nesta data e criou a frase “Moqueca é capixaba, o resto é peixada”.

Para celebrar essa data um dos restaurantes mais tradicionais de frutos do mar de Guarapari, o Gaeta, realizou um almoço especial para imprensa nesta sexta-feira (29). “Essa é uma data especial para nós donos de restaurante que trabalhamos com moqueca, que é o carro chefe da  culinária capixaba.  Mas todo dia é dia de moqueca, principalmente, no Gaeta. Porém,  existe um dia especial e por isso, resolvemos fazer essa comemoração para divulgar cada  vez mais a culinária do nosso Estado”, disse o proprietário do restaurante Nhozinho Matos, de 73 anos.

O jornalista Cacau Monjardim, de 80 anos, esteve presente no evento e afirmou que há três anos comemora o Dia da Moqueca Capixaba no restaurante. Ele também ressaltou a importância de se reconhecer a importância do prato. “Sem dúvida alguma está faltando uma  certa repercussão de caráter nacional para a culinária capixaba com um grande evento a ser realizado no Espírito Santo. Enquanto isso não vem é de se louvar e agradecer o carinho, a dedicação e o entusiasmo com que o dia da moqueca é comemorado por aqueles que realmente a fazem e a transformam em um dos pratos mais prestigiados da culinária nacional”.

Os proprietários do restaurante Gaeta, Idalina e Nhozinho Matos, e o jornalista Cacau Monjardim. Foto: Rafaela Patrício

No ano passado, no Dia da Moqueca,  a Confraria da Moqueca, na pessoa do jornalista Cacau, concedeu a Nhozinho  o título de Moquequeiro.  Este ano ele resolveu criar sua própria frase sobre o prato pelo qual é um apaixonado: “Quem vai a Roma quer ver o Papa, quem vai ao estado do Espírito Santo quer provar a Moqueca Capixaba”. 

O moquequeiro ressaltou que a moqueca capixaba é melhor do país. “Os outros estado fazem, mas é diferente. Lá é peixada e aqui é a verdadeira  moqueca”.  Ele também explicou qual o segredo para fazer essa iguaria.  “Para  fazer a moqueca tem que ser na panela de barro e de preferência a panela do Espírito Santo. Depois vem o bom peixe e o coentro, que é indispensável. Nossa moqueca não leva azeite de dende nem leite de coco.  Mas leva alho, o urucum em pó, que é o coloral, mais  tomate e cebola. Porém, a receita tem que ser feita com muito amor e muito carinho.  É preciso  gostar de fazer porque tudo que se faz com muito amor fica bem feito”.

Há 51 anos preparando moqueca Nhozinho já recebeu o título de moquequeiro e criou sua própria frase para homenagear o prato.

“Estou aqui há 51 aos fazendo moqueca. Fico feliz da vida por estar trabalhando. É uma profissão árdua em que a gente trabalha todos os dias, mas a gente faz tudo com muito carinho porque os clientes  nos dão muitas alegrias porque vemos as pessoas saindo felizes daqui”, contou Nhozinho.

Ele também reconheceu a importância do trabalho dos seus colaboradores para o sucesso da moqueca preparada em seu restaurante.”Não existe um bom moqueiro, não existe um bom chefe de cozinha se ele não tiver o respaudo da sua equipe então sozinho eu não faria  nada. Sou muito grato aos meus colaboradores que estão na cozinha e a equipe que trabalha no salão também”.

Uma dessas pessoas é a cozinheira Maria Inês dos Santos, de 63 anos, que a 38 anos trabalha no restaurante. Ela contou que tem satisfaçaõ em ver as pessoas se deliciando com a moqueca preparada por eles.  “Fico feliz em ver que as pessoas gostam da nossa comida, do tempero e do sabor.  E não é só aqui, na minha casa o pessoal também adora a moqueca capixaba”.

A cozinheira Maria Inês Santos está há 38 aos preparando moqueca no restaurante. Foto Rafaela Patrício

Nhozinho contou que suas moquecas são homenagens as linhas de Guarapari. “Todas as moquecas que sirvo aqui batizei com nome de ilhas de Guarapari. Temos a moqueca Gaeta, a moqueca escalvada, moqueca três ilhas e a última  foi a moqueca 28B, que criei quando houve o  afundamento programado d aquele navio”, disse o moquequeiro.  Segundo ele, ao todo são 8 opções de moquecas, mas uma é a mais procurada pelos clientes. “A moqueca que mais saí é a Gaeta”.

A esposa de Nhozinho e também proprietária do restaurante, Idalina Vieira, recebe os clientes com o sorriso no rosto e contou que tem prazer em trabalhar com a moqueca. “Eu e minha família vivemos para o trabalho. Vivemos para a moqueca e estamos muito felizes por isso.  Tenho muito prazer em ter o comércio e fico muito feliz em receber as pessoas aqui na nossa casa”.

O casal Idalina Vieira e Nhozinho Matos com o filho Léo Vieira Matos.

Ela contou ainda que os filhos ajudam no trabalho  do restaurante há muitos anos, mas  que não pretende deixar de trabalhar com a moqueca. “Falo que os meninos estão treinando. Tenho um filho que é chefe e ajuda na cozinha quando a coisa aperta. Mas nós não pretendemos sair e deixar os meninos tomando conta. Não que é que a gente não confie porque eles conhecem isso aqui tanto quanto a gente, mas acho que não tem necessidade disso. Nós criamos o restaurante e trabalhamos com a moqueca há 51 anos e deixar isso me deixaria muito triste”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here