Quarenta e oito horas após o assalto ao ônibus da viação Alvorada, que resultou na morte de dois passageiros, deixou um ferido e ainda atingiu duas pessoas de raspão, agentes da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) de Guarapari prenderam o segundo assaltante. Luiz Thiago Mascarenhas de Jesus, de 29 anos, confessou o crime e relatou como tudo aconteceu.

Luiz Thiago foi preso em Aribiri, Vila Velha, por agentes da Depatri e conduzido para a 5ª Delegacia Regional de Guarapari. Foto: Rafaela Patrício

“Só tenho a dizer que não fui eu quem atirou, simplesmente participei. Agora deixa a justiça fazer o trabalho dela. Ele fala que fui eu, mas a justiça vai ver o que vai ser feito”, afirmou Luiz Thiago.

Ele disse ainda que não sabia da intenção do comparsa, Sirley de Jesus Nascimento, de 33 anos, quando entrou no ônibus. “Peço perdão a todos. Eu não sabia desse crime que ele ia cometer. Todos viram o crime que ele já tinha cometido de manhã. Ele me chamou para ir trabalhar e como os policiais que me prenderam viram, eu estava trabalhando. Apesar de eu ser usuário de drogas, eu trabalho. Ele me chamou para um trabalho e eu não sabia que seria esse crime fatal”.

Luiz Thiago contou que conheceu Sirley através da droga. “Conheci ele no local onde eu estava usando drogas e ele parou para usar também”. Ele também relatou como tudo aconteceu. “Ele me deu uma faca antes de fazer o assalto. Colocou ela do meu lado e tomei um susto. Quando vi ele já estava com o simulacro na mão, levantou e anunciou o assalto. Ele já foi apontando diretamente para o guarda municipal que estava lá atrás porque ele já tinha visto e já tinha fitado. Eu estava cochilando e não sabia de nada”.

Ele afirmou que não sabia que a intenção do comparsa era assaltar o ônibus e que foi convidado por ele para vir fazer um trabalho em Guarapari. Foto: Rafaela Patrício

E continuou. “Ele pegou a arma do policial, me deu o simulacro e foi para a frente. Nisso quando coloquei o simulacro na bolsa a faca caiu no chão. Eu peguei e quando fui recolher as coisas das vítimas escutei os disparos, mas não vi quem atirou primeiro. Simplesmente começou a troca de tiros entre ele e o outro policial que acho que estava à paisana lá na frente. Não sei quem acertou quem porque eu abaixei e esperei o momento esfriar”.

“Nós saímos pela porta da frente normalmente porque o policial foi recuando. Não sei se tinha pouca bala no revólver dele, se foi atingido ou ficou com medo. Simplesmente ele (Sirley) se escondeu atrás da vítima e o policial começou a atirar e o policial também”, contou o detido.

Ele afirmou que após o crime os dois ainda dormiram no mato e no dia seguinte foram para Vila Velha de ônibus. “O policial foi para fora do ônibus e o motorista e o cobrador correram juntamente com ele. Nós conseguimos sair e nos escondemos no mato. Nós dormimos e na faixa de meia noite e meia começamos a andar pelo meio do mato até chegar no local de pegar um ônibus na BR 101”.

O assaltante também afirmou estar arrependido. “Estou arrependido. Se eu soubesse não teria feito nada disso”. Ele também alegou que não tem coragem de matar alguém. “Que Deus possa nos perdoar. Jamais eu atiraria em uma barata ou pisaria em um rato. Jamais pisaria em ninguém. Isso foi um ato que poderia ter sido resolvido de uma melhor forma. Se ou ele ou o policial não tivesse atirado, nada disso teria acontecido e a gente teria ou automaticamente sido preso ou não sei, mas poderia ter sido totalmente diferente”.

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