As audiências públicas sobre o Licenciamento Operacional Corretivo do Complexo de Germano, que foram realizadas em Minas Gerais, na última quarta-feira (06) e quinta-feira (07), deram novas esperanças da retomada das atividades da Samarco.

A audiência também contou com uma grande participação popular

Os eventos contaram com a presença de autoridades como o prefeito de Anchieta, Fabrício Petri; do vice-prefeito de Guarapari e secretário de Esportes, Miguel Agrizzi; da secretária de Meio Ambiente e Agricultura, Thereza Christina Barros e do secretário de Turismo, Edgar Behle. Também estiveram presentes representantes da sociedade civil organizada como o presidente do Sindicig e vice-presidente institucional da Federação da Indústria do Espírito Santo (Findes), Fernando Otávio Campos e o líder do movimento “Somos Todos Samarco”, Arthur Pereira.

Segundo Fernando, a audiência também contou com uma grande participação popular e dois ônibus com cerca de 80 pessoas de Guarapari, Anchieta e região foram para Minas. Ele revelou que durante os eventos a maior parte das manifestações era a favor da volta da mineradora.

Presidente do Sindicig e vice-presidente institucional da Federação da Indústria do Espírito Santo (Findes), Fernando Otávio Campos.

Ele afirmou que a Findes apoia a volta da empresa. “A Federação da Indústria do Espírito Santo acredita que a única forma de reparar os danos ao meio ambiente e para o que foi perdido é somente com a volta da Samarco”.

De acordo com o vice-presidente institucional da Findes, a mineradora apresentou um projeto de refiltragem de rejeitos em que vai aproveitar 80% da água do próprio rejeito, o que vai reduzir o consumo de água e o volume de rejeitos.

“Os rejeitos são jogados em uma cava e isso vai aumentar a vida desse depósito de rejeitos de uns 20 meses para quase cinco anos. Nesse período além da instalação de novas tecnologias, ainda vai ter a ampliação das barragens. Esse período é o que vai definir o retorno total da Samarco”, explicou Fernando

Para ele, o acidente vai servir para criar um novo cenário no setor da mineração do país. “É uma total inovação e um conceito muito grande sobre tratamento dos rejeitos. Além disso, vimos pessoas satisfeitas com o compromisso muito grande da Samarco com a reparação. Ela sempre tem um compromisso com a sociedade e ele está sendo reforçado”.

Arthur Pereira do Somos Todos Samarco

Fernando acredita que se a liberação das licenças em Minas Gerais sair em dezembro, a empresa volta a funcionar até junho de 2018 no Espírito Santo, já que aqui a empresa não precisa de nenhuma licença porque está legalizada. “Para voltar a funcionar depende de uma nova licença que deve ser obtida durante a própria operação da cava. Acreditamos que no processo normal e sem atrasos políticos, obtendo a liberação da cava em dezembro em mais seis meses a Samarco volte a operar aqui no Espírito Santo”, disse o vice-presidente institucional da Findes.

O líder do movimento “Somos Todos Samarco”, Arthur Pereira afirmou que as audiências públicas não definiram a volta da empresa, mas contribuíram para isso. “Saí de lá com uma grande expectativa de funcionamento no ano que vem. Mas, infelizmente, não depende exclusivamente da nossa vontade porque se dependesse a empresa já estava funcionando. Porém, saí com essa boa expectativa porque estava presente na audiência uma promotora que cuida do caso e perguntei a ela como estão os trâmites. Ela me disse que agora o processo está andando”.

Na próxima segunda-feira (11) será realizada uma nova audiência pública, em Ouro Preto. Segundo Arthur, nessa mesma data haverá um encontro para a definição de uma operação para prepara a Cava Alegria para o recebimento dos rejeitos.