BC sobe taxa de juros para 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (18), elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, atingindo 15% ao ano, o maior nível desde maio de 2006. Este é o sétimo aumento consecutivo desde setembro de 2024, e a medida tem como objetivo conter a inflação, que ainda apresenta projeções elevadas.

A decisão foi unânime entre os diretores do BC, que destacaram que o cenário econômico continua desafiador, com expectativas de inflação ainda desancoradas, pressão no mercado de trabalho e resiliência na atividade econômica. O comitê afirmou que a política monetária seguirá “em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, visando garantir que a inflação convirja para a meta do governo.

A taxa Selic atingiu o maior nível desde 2006.

Embora tenha confirmado o aumento, o Copom sinalizou que pode interromper o ciclo de elevações caso o cenário continue conforme o esperado. A expectativa é que os efeitos dos aumentos anteriores, que demoram a refletir na economia, sejam avaliados antes de decidir novas elevações.

Em seu comunicado, o Copom afirmou que está “vigilante” e que as ações futuras poderão ser ajustadas conforme a evolução da economia, sem hesitar em seguir com o ciclo de alta de juros, caso seja necessário. No entanto, a continuidade do ciclo será dependente dos impactos das altas já realizadas.

O que significa esse aumento?

O aumento da Selic reflete uma tentativa do Banco Central de controlar a inflação e garantir que os preços não ultrapassem a meta estipulada pelo governo. Juros mais altos tornam o crédito mais caro, o que desestimula o consumo e pode frear o aumento dos preços. Isso afeta diretamente o bolso dos brasileiros, encarecendo financiamentos, empréstimos e até mesmo o saldo devedor do cartão de crédito.

A Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação, sendo usada como referência nos juros cobrados pelos bancos nos empréstimos e financiamentos. Quando a taxa aumenta, a ideia é esfriar a economia, desacelerando a demanda por produtos e serviços, o que pode ajudar a reduzir a pressão sobre os preços.

Cenário atual

O cenário econômico brasileiro tem mostrado sinais de desaceleração da inflação. No mês de maio, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve uma alta de 0,26%, acumulando 2,75% no ano e 5,32% nos últimos 12 meses. Esses números, embora ainda acima da meta do BC, mostram uma desaceleração da inflação frente ao aumento contínuo da Selic.

O mercado financeiro já havia projetado uma alta de 0,25 ponto percentual, e as expectativas para o futuro continuam divididas. O Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (16), indicou que a Selic deve se manter em 14,75% até o final de 2025.

O impacto da “Superquarta”

A decisão do BC foi anunciada em uma “Superquarta”, dia em que coincidem as reuniões do Comitê de Política Monetária do Brasil e do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Enquanto o Copom elevou a Selic, o Fed optou por manter sua taxa de juros entre 4,25% e 4,5%.

Histórico da Selic

Após atingir 13,75% ao ano entre 2022 e 2023, a Selic sofreu cortes sucessivos até alcançar 10,5% em maio de 2024. Desde setembro daquele ano, o BC iniciou uma série de aumentos, com a taxa chegando agora a 15%, o maior patamar desde 2006.

O cenário atual reflete o esforço do Banco Central em controlar uma inflação persistente e garantir a estabilidade econômica do país. Contudo, a expectativa é de que as próximas decisões do Copom dependerão da evolução dos indicadores econômicos e dos impactos das altas já implementadas.

O futuro da política monetária

O Copom continuará monitorando os efeitos da política monetária, com a possibilidade de uma interrupção no ciclo de alta de juros, caso os dados futuros se mostrem favoráveis. No entanto, o comitê deixou claro que não hesitará em continuar com os ajustes, se necessário, para garantir que a inflação esteja sob controle e dentro das metas do governo.

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João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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