Na semana passada a redação do Portal 27 foi procurada por um morador de Guarapari, que fez uma denúncia séria sobre um possível desvio de parte dos 169 quilos de peroá que foram apreendidos pela Polícia Militar Ambiental no último dia 6 deste mês no Centro da cidade. Reveja a matéria aqui.

A denúncia diz que um funcionário da prefeitura (será omitido aqui o nome e a secretaria em que ele trabalha) foi visto no estacionamento em frente à sede da administração entregando algumas sacolas com peroá para outro funcionário no dia seguinte à apreensão.

Polícia Ambiental
A PM ambiental apreendeu 169 quilos de peroá de uma embarcação que não tinha documentação. Foto: Fábio Henriques/Portal 27

Sem podermos confirmar se havia mesmo peroá na sacola e, se tivesse,  se fazia parte daqueles que foram apreendidos, diante desta informação a reportagem do Portal 27 refez o passo a passo do pescado apreendido e verificou que até quarta-feira passada (21), os peixes não haviam sido distribuídos às entidades filantrópicas da cidade, como é de praxe acontecer nestes casos.

E o que é pior: pelo que foi apurado, apenas parte dos 169 quilos chegou ao destino correto, que seriam entidades filantrópicas que atuam na cidade.

Na delegacia, tivemos acesso ao Auto de Restituição (Entrega), onde está descrito que os 169 quilos de pescado apreendido foram entregues aos cuidados de um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente (Sema).

Ainda na tarde de quarta-feira (21), em conversa por telefone com a secretária titular da Sema, Jéssica Martins, ela nos informou que o pescado foi entregue aos cuidados da Secretaria de Trabalho, Assistência e Cidadania (Setac).

O pescado foi entregue pela polícia à Sema. Mas só 15 dias depois foi distribuído. Foto: João Thomazelli/Portal 27
O pescado foi entregue pela polícia à Sema. Mas só 15 dias depois foi distribuído. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Procuramos então a Setac, e em conversa com a secretária adjunta Margarida Maria Pinto Neve (Gaída) nos foi informado que o peixe seria distribuído ainda naquela tarde nas duas casas de passagem do município e na Ascamarg, no bairro Perocão. A reportagem foi até esta última e constatou que duas caixas foram deixadas lá para serem distribuídas entre os associados.

Na tarde de ontem (22), o funcionário da Setac responsável pela distribuição dos peixes confirmou que duas caixas de peixe foram para a Ascamarg, duas para a Casa de Passagem I e uma caixa foi entregue na Casa de Passagem II.

Peso das caixas de peixe

Em uma caixa cabem pouco mais de 20 kg de peroá. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Em uma caixa cabem pouco mais de 20 kg de peroá. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Conversamos com o proprietário de uma peixaria tradicional da cidade para sabermos quantos quilos de peroá caberiam em uma caixa padrão destas usadas nas peixarias e embarcações. Ele nos informou que o peso gira em torno de 20 quilos, podendo passar um pouco ou pesar menos. “Mas nunca é muito mais do que isso. Tanto que usamos a caixa como referência quando vamos comprar o peixe do pescador, pois os peso é sempre aproximado de 20 kg”, avaliou.

A Polícia Militar Ambiental também confirma estes dados. De acordo com um oficial do 1º batalhão, que foi o batalhão responsável pela apreensão, “não é possível colocar mais do que isso nas caixas, pois elas transbordam. O peso gira em torno dos 20 quilos”, disse.

Portanto, mesmo que em cada caixa que foi distribuída pela Setac tivessem 22 quilos de peroá, ainda teríamos 59 quilos do pescado desaparecidos. Para onde foi este peixe? Outra pergunta que fizemos à prefeitura é por que demorou-se tanto para distribuir o peroá apreendido? Normalmente, quando é a Polícia Militar Ambiental ou o Ibama que fazem a distribuição, esta é feita no mesmo dia, ou imediatamente no dia seguinte.

Prefeitura

A prefeitura de Guarapari anunciou cortes em várias secretarias. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Um funcionário teria sido visto no estacionamento em frente à prefeitura entregando sacolas com peroá. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Na tarde de hoje entramos em contato com a Secretaria de Comunicação para falarmos sobre esta situação. Perguntamos também por que apenas na quarta-feira (21), 15 dias depois de apreendido, o peixe foi distribuído.

Em nota, a prefeitura nos respondeu que:

A Prefeitura recebeu 5 caixas de pescado apreendidos pela Polícia Militar, que foram distribuídas entre a ASCAMARG (duas caixas), Casa de Acolhimento 1 (uma caixa) e Casa de Acolhimento 2 (duas caixas), conforme foto. Será realizada a prestação de contas à Polícia Militar através dos termos de doação às entidades.

A Prefeitura desconhece qualquer informação sobre distribuição irregular.

Por telefene ainda nos foi informado que a prefeitura vai solicitar as imagens da câmera de videomonitoramento que fica em frente à prefeitura para verificar se de fato a denúncia que chegou até a nossa redação é verídica. Sobre a demora na distribuição do pescado, nada nos foi informado.

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