O mundo mudou e todos os dias as mulheres lutam por mais espaço na sociedade, isso é o tão falado empoderamento feminino. Mas apesar de todas as mudanças, usar um belo vestido de noiva e seguir em direção a pessoa amada até o altar ainda faz parte do imaginário de muitas mulheres. Para quem não tem condições financeiras de realizar este sonho a grande oportunidade é o casamento comunitário organizado pelo projeto Florescer.

A primeira edição do casamento comunitário realizou o sonho de 80 casais e este ano 150 vão participar o evento.

A presidente do projeto Sirleia Barbosa, de 54 anos, relatou que o Florescer existe há dois anos e que a ideia de realizar os casamentos comunitários surgiu através trabalho que ela fazia na igreja. “Sou da igreja Metodista Wesleyana, sempre trabalhei com o ministério de casais e me apaixonei. Mas a ideia de fazer o casamento surgiu quando abrimos o projeto, que é realizado por 10 mulheres.  Eu queria começar um trabalho grande e Deus me deu essa ideia e agradeço muito a ele por isso”.

Este ano a segunda edição do casamento comunitário será no dia 02 de setembro. “Graças a Deus no ano passado conseguimos realizar o primeiro casamento com parceria com algumas casas de noivas, salões e cartório. Fizemos um trabalho belo, ficou muito bom. No ano passado foram 80 casais e esse ano nosso foco é realizar 150 casamentos”.

“As noivas são pessoas com mais dificuldade financeira, mas que tem o sonho de casar vestidas de noiva, ver as filhas de dama e os maridos de terno. Nós através desse projeto conseguimos realizar um pouquinho do sonho dessas noivas”, explicou Sirleia.

Noivas que participaram da primeira edição do casamento comunitário organizado pelo projeto.

Ela afirmou que para este ano já não tem mais vagas e que as inscrições foram feitas através de visitas que ela fez nas igrejas. “Visitei 62 igrejas como porque queria encontrar pessoas realmente sem condições de realizar os casamentos por conta própria. Então fui nos bairros mais carentes da cidade como Camurugi, Jabaraí, Portal e muitos outros. Busquei as igrejas pequenas e trabalhei com os pastores para que essas pessoas conseguissem as vagas”.

Sirleia também explicou que na celebração do casamento comunitário podem participar pessoas de diferentes religiões. “Tudo é feito independente de religião, temos casais inscritos que são católicos e evangélicos. É um casamento ecumênico. No ano passado esteve lá o senhor Ronaldo, da igreja católica. Ele fez a celebração e nosso pastor também. Não temos a separação de religião em hora nenhuma, mas fazemos um trabalho mostrando que independente de religião existe um só Deus”.

A presidente do projeto disse ainda que os casais não pagam nada para participar da cerimônia religiosa. “Nós fazemos uma ação entre amigos para arrecadar dinheiro para pagar as coisas como, por exemplo, a decoração. No ano passado com a ação entre amigos conseguimos pagar toda a decoração, a filmagem e a fotografia. Tudo que estava ali foi feito com a venda dela pelos casais e a ajuda dos nossos apoiadores. Este ano vai ser a mesma coisa, os casais não pagam nada e lá para junho ou julho vamos fazer a ação entre amigos novamente”.

Equipe do projeto Florescer na primeira edição do casamento comunitário.

De acordo com Sirleia, o diferencial do casamento comunitário do Projeto Florescer é que as noivas entram separadas. “É importante falar que cada casal entra sozinho, nós não fazemos a entrada de todos os casais juntos porque os noivos se arrumam todos e esse é um momento único então a gente acha importante que eles entrem separados. Demora um pouco mais, mas eles entram um de cada vez”.

Família. A edição do casamento comunitário deste ano vai ainda mais especial porque vai realizar o sonho de 6 noivas de uma única família. A matriarca é a marisqueira Márcia de Jesus Simões Brandão, de 52 anos, que tem uma união de mais de 30 anos que resultou em 4 filhos e 16 netos. Mas está casada no civil há dois anos e só agora vai conseguir realizar a cerimônia religiosa.

“Nós resolvemos nos casar porque meu pai queria muito e nós também, mas ele faleceu antes que eu pudesse realizar o casamento no religioso e até mesmo no civil. Depois que ele faleceu perdi essa vontade de casar no religioso porque seria muito importante para mim ter a presença dele e com isso adiei a realização dessa cerimônia. Minhas filhas também já vivem com os pais dos filhos delas, mas não são casadas. Todo mundo queria casar, mas a situação financeira não está boa e o custo é muito caro. Quando a Sirleia nos falou desse projeto a gente abraçou a causa porque é uma oportunidade para todo mundo que tem vontade de realizar esse sonho e não tem condições financeiras.  Agora com o apoio das pessoas que realmente se interessam em ajudar vamos casar eu, minhas duas filhas, minhas duas cunhadas e minha nora vamos conseguir casar e só tenho a agradecer essa ajuda”.

Márcia e o irmão Marciel de Jesus Simões, que já mora com sua companheira há 8 anos e agora também vai oficializar a união no casamento comunitário.

Márcia também incentiva outros casais a participar do casamento comunitário. “Acho que vai ser tudo muito bom, lindo e uma verdadeira benção. A gente tem que aproveitar as oportunidades porque casamento não é barato, mas a gente não pode deixar de casar por isso. Já que temos essa oportunidade vamos aproveitar ela e acho que muita gente deveria fazer isso porque se você vive junto com alguém e nada te impede de oficializar sua união porque não?”.

“O casamento vai ser na quadra do Polivalente porque o número de pessoas vai ser maior. “

Ajuda. Mas, para que a Márcia e todas as noivas consigam viver esse conto de fadas mais gente precisa ajudar o projeto. Sirleia relatou que está precisando de ajuda para a realização do evento esse ano, que terá um número maior de participantes. “O casamento vai ser na quadra do Polivalente porque o número de pessoas vai ser maior. Estamos esperando 5 mil pessoas, no ano passado foram 1500. Então com o espaço maior precisamos de uma sonorização maior e estamos correndo atrás para conseguirmos isso. Se tiver alguém disposto a nos ajudar, estamos aceitando”.

A doação de vestidos de noivas e ternos também são bem-vindas. “Esse ano nós conseguimos alguns vestidos através de uma parceria com uma casa de noivas e elas vão poder alugar cada vestido por R$ 150,00. Esse valor é bem mais em conta porque tem vestido de noiva que custa R$ 3.000,00. Os ternos também conseguimos com preços bem acessíveis. Mas ainda falta conseguirmos alguns vestidos e ternos então se tiver alguém que tenha algum vestido de noiva ou terno e queira doar, pode entrar em contato com a gente”.

Decoração do casamento comunitário realizado em 2016.

Apesar das dificuldades, ela afirma que se emociona ao ver a felicidade dos noivos durante o casamento. “As pessoas agradecem muito, mas não tem porque agradecer. Acho que a gente tem que fazer um pelo outro. Se eu consigo ajudar de alguma forma, porque não? Pensa bem, o que é você conseguir um vestido de noiva usado, lavar e arrumar? Conseguir um salão que me ajuda e ter a certeza de que a pessoa vai estar lá linda e sorridente no dia do casamento? No ano passado elas entraram e os noivos só as viram arrumadas na hora da cerimônia e aí teve um noivo que não reconheceu a noiva. Ela estava linda e foi uma emoção muito grande. É um trabalho que dá, mas é uma emoção para a família toda e ninguém pode tirar isso deles”.

Ela também fez questão de agradecer as pessoas que a ajudam a tornar o sonho dos casais realidade. “Quero muito agradecer aos meus apoiadores como a Antônia Noivas, a Taíssa Noivas, a Art Noivas, o Jair Gotardo, o Rodolfo Mai, ao meu pastor da igreja Wesleyana Matheus, o pastor Luiz Cláudio da igreja de Camurugi e ao doutor Ubirajara que nos ajudam a manter o projeto funcionando porque a gente paga aluguel e a dificuldade é muito grande”.

 

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