Um comerciante de Guarapari, apontado como infectado pelo coronavírus no bairro Muquiçaba, ficou indignado com as falsas informações espalhadas através de um aplicativo de mensagens, e procurou a Polícia Civil para denunciar o caso. O comerciante Ronaldo Adriano Santiago, 39 anos, quer que o autor responda pela irresponsabilidade.

Na mensagem que foi compartilhada por centenas de pessoas, dizia que além de infectado, o comerciante estaria internado em um hospital de Vitória em estado grave.

A esposa do comerciante, Vanessa Martins de Souza, 38, foi surpreendida por uma cliente, e ficou sabendo das mensagens de uma maneira desesperadora.

“Eu estava descansando do almoço, quando uma cliente apareceu na minha casa me chamando e perguntando, ‘Vanessa que negócio é esse que seu marido está com coronavírus lá em Vitória. Quero meu dinheiro de volta, porque ele está infectado'”, conta ela.

O casal ficou indignado com a falsa notícia. Foto: Roberta Bourguignon.

A comerciante relata que está extremamente chateada com notícia falsa. “Estamos muito chateados com quem fez isso, porque quem fez isso não tem amor a própria vida. Tenho duas filhas para criar, aluguel para pagar, e a agora as pessoas estão mudando até de calçada, para não passar próximo do nosso comércio, com medo de ser infectado”, desabafa Vanessa.

Ronaldo fez ocorrência na Polícia Civil. “Vamos buscar quem fez isso e esperamos que o autor seja penalizado. Nosso advogado também já tem todas as informações. Estamos indignados mesmo. Não temos os sintomas, e não teve nada disso. Em fevereiro que minha esposa passou mal e chegou a cair aqui no comércio. Ela teve um princípio de infarto, operou o coração e está bem”, declarou Ronaldo.

O advogado responsável pelo caso, João Marcos G. Matos, esclarece que crime cometido pelo autor e até mesmo por quem compartilhou a mensagem, não se trata de crime cibernético, e sim de crime contra a honra, pois estão denegrindo a imagem do Ronaldo e do seu estabelecimento.

“Cumpre ressaltar que o proprietário Ronaldo Adriano Santiago jamais desmaiou em seu estabelecimento, e que desde o início desta pandemia, jamais sentiu qualquer um dos sintomas relacionados ao coranavírus. O que claramente verifica é que a pessoa que enviou esta notícia falsa, está tentando não só denegrir a imagem do proprietário como também de seu estabelecimento, e esta pessoa deve entender que conforme preconiza o artigo 139 do código penal brasileiro, se dependendo das consequências que tal notícia gerar a reputação da vítima, no caso Ronaldo Adriano Santiago, configura se crime”, explica o advogado.

Que ainda completa. “Importante mencionar, que não importa se o fato que busca denegrir sua imagem é verdadeiro ou não. Uma pessoa simplesmente não tem o direito de se comportar desta maneira, caso o faça poderá ser enquadrada por crime de difamação, no qual a pena prevista é de detenção de três meses a um ano e multa, e ainda, sofrer processo por dano moral”.

A Prefeitura de Guarapari emitiu no final da tarde de ontem, uma nota de esclarecimento, explicando que a informação que circulava sobre o comerciante era falsa, e que notícias como essas acarretam em uma sobrecarga no sistema de saúde, sendo algo negativo neste momento de epidemia. A prefeitura frisou ainda que todos os dados sobre coronavírus são divulgados através das páginas oficiais do município.

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