É muito prático e tranquilo para as pessoas fazerem compras de frutas, legumes, verduras etc, na noite da sexta-feira na feira que fica ao lado do mercado de peixe. Isso se dá por duas razões muito óbvias.

A primeira razão é que a noite o trânsito é seguramente bem menor e mais seguro, além de ser extremamente fácil de estacionar. Além disso, o friozinho noturno contribui para o melhor conforto nas compras. Soma-se a isso a verdade de que a mudança de horário das feiras possui uma forte relação com a mudança da própria família brasileira, que passou a ter a participação da mulher no mercado. Então, ela nasce, em primeiro lugar, da necessidade da família em fazer compra à noite.

A outra segunda razão é que o fato de uma boa parte da sociedade local e até turistas, irem a feira livre na sexta-feira à noite, faz com que o trânsito no sábado pela manhã – principalmente nos horários de pico – flua com mais facilidade, ainda mais quando se trata de uma feira que não tem estacionamento, a não ser, se pagar, o que deixa qualquer um irritado.

Para aqueles que estão por fora dos fatos, infelizmente, a Prefeitura Municipal de Guarapari/ES, está impondo, através de um “comunicado” espalhado por todos os lugares visíveis da feira, que do dia 04/10/2017, a mesma está proibida de funcionar nas sextas-feiras à noite. O mesmo é seguido pelo decreto Municipal de n° 552/2017, publicado no D.O.M. em 26/09/2017. Sugerimos que leia o comunicado que está anexo a esta coluna.

As desculpas ouvidas, que seria uma das principais razões desse comunicado por parte da Secretaria competente, que é a Secretaria Municipal da agricultura, Pesca e Expansão Rural (SEMAPER), é que os demais vendedores que chegariam no sábado de manhã seriam prejudicados em suas vendas, uma vez que a feira já funciona desde a sexta-feira à noite. Nesse caso, eles teriam dificuldade em vender seus produtos. É o que alega muitos dos feirantes.

Ora, é preciso dizer que tem lugar para todo mundo debaixo do sol. Se for assim, os supermercados mercados, mercadinhos, mercearias etc., deveriam também encerrar suas atividades e fechar suas portas, pois, enquanto a feira livre funciona nas sextas-feiras a noite, estes demais estabelecimentos também funcionam. A concorrência é justa. As feiras noturnas estão se tornando, aos poucos, uma alternativa à rotina intensa das grandes cidades.

Contudo, existe uma agravante nisso tudo, a sociedade local não foi consultada sobre o que ela pensa da feira não mais funcionar nas sextas-feiras à noite. Enquanto existe uma mudança gradual no horário das feiras livres que migra do dia para a noite, a cidade não consegue se adaptar ao comércio de rua ao cotidiano da sociedade.

A cidade está de olho no fato da atual gestão também não se reunir com o eleitorado local para discutir sugestões de melhorias nesse sentido. Entre elas, está a disponibilidade de banheiros químicos femininos e masculinos que a mesma feira deveria ter a décadas, mas não tem.



Como sociedade que elege seus representantes, essas reuniões são muito importantes, pois só se consegue fazer uma administração eficiente, se for feita em conjunto, ouvindo as reais necessidades da população. A isso chamamos gestão participativa e interativa.

A câmara de vereadores, segundo alguns dos vereadores que foram consultados, diz que não teve conhecimento algum desse “comunicado”, que mais parece uma ditadura moderna.

Recordamos que bem recentemente tentaram retirar a feira livre que funciona em Muquiçaba à rebate e a toque de caixa. Felizmente o povo se movimentou pacificamente, fez protestos, gritou nas redes sociais, mobilizou a imprensa local, sonorizou o tema, ganhou adeptos e o projeto caiu por terra.

Uma gestão pública que deseja marcar presença, deve criar pontes de diálogo com aqueles mesmos que lhes entregaram o poder de administração da coisa pública e não ignorar a vontade popular.

Guarapari segue mais uma vez sendo duramente penalizada por uma ação arbitrária do poder público que tem se comportado de forma a causar repúdio geral, vindo de encontro ao bem social coletivo.

Não é a primeira vez que o governo local, ao invés de trabalhar em prol da sociedade, está trabalhando contra a mesma, tirando o direito do trabalhador de trabalhar e ganhar seu sustento de forma honesta. O assunto “Rodoshopping”, por exemplo, ainda não foi digerido bem pela cidade.

Numa ação desorquestrada, já que a iniciativa de não mais permitir o funcionamento da feira nas sextas-feiras à noite, foi tomada sem concordância com os feirantes da cidade, a cidade saúde segue doente e sendo regularmente esbofeteada.

Se efetivamente essa ação terá sucesso, nós não sabemos. Fato é que a sociedade civil organizada não pode tomar ciência disso e ficar calada na posição de quem apenas assiste ao final de um filme, sem fazer nada. É preciso se levantar e movimentar, ligar para a secretaria responsável e falar do descontentamento, enviar e-mail, ir na imprensa etc.

Mas a título de sugestão, deixamos registrado aqui a proposta da criação de uma feira noturna nas sextas-feiras, sendo realizada no mesmo local, porém, das 17h às 23h, mesmo horário da edição de outras cidades desenvolvidas do nosso país. Assim, quem sabe, a gestão atual poderia dar a resposta certa para esse momento e deixando a cidade um pouco mais satisfeita.

Abaixo, segue contato para nos posicionamos pelos caminhos oficiais.

Secretaria Municipal da agricultura, Pesca e Expansão Rural (SEMAPER).
Secretário: Pedro Inácio Wandekoken
Rua Camilo Gianordoli, n° 320, Bairro: Muquiçaba, Guarapari/ES, CEP: 29.200-000.
Telefax: (27) 3261-7708.
E-mail: [email protected]

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Prefeitura Municipal de Anchieta


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Kleberson Sergio de Andrade é membro da Igreja Batista em Meaípe (famoso balneário da cidade de Guarapari), natural de Jaboatão dos Guararapes (PE), mora em Guarapari desde 2001, é casado desde 2007 com a pedagoga e especialista em tecnologia da educação Clause Miranda Quirino de Andrade, pai de um casal de filhos, pastor batista desde 2002, membro efetivo da OPBB (Ordem dos Pastores Batistas do Brasil), professor universitário, pedagogo, psicanalista, pós graduado em ética, filosofia, educação, docência do Ensino Superior, gestão escolar com habilitação em administração, supervisão, orientação e inspeção escolar, capelania hospitalar e licenciado em filosofia e sociologia.

3 COMENTÁRIOS

  1. Vereadores só brigam pelos aumentos de salarios deles, politicos não deveriam receber salarios! A gente paga esse bando de picaretas e ainda assim eles roubam o dinheiro com superfaturamentos, obras inacabadas, investimento em elefante branco etc, daí a feira não pode funcionar sexta a noite porque vai atrapalhar o comercio! Acabou a paciência com esse bando de picaretas da prefeitura!

  2. Parabéns Kleberson pela excelente abordagem. Não é de hoje que as pessoas esclarecidas de nossa cidade já conhecem bem essa postura do “prefeito que sabe o que faz”, mas infelizmente, apesar de quase termos conseguido o intento de colocar esse senhor no seu devido lugar nas eleições, ainda existe uma “pequena” maioria que por sua ignorância e cegueira, ainda votaram nesse senhor e talvez somente agora estejam notando que jogaram o seu voto no lixo, pena que tarde demais.
    Como o Brasil e os brasileiros, Guarapari e seus cidadãos também precisam adotar uma postura mais combativa frente aos descalabros e desmandos de nossos políticos. Vejo nessa postura a única forma de efetivamente conseguirmos alguma mudança no nosso Brasil e na nossa cidade, sob pena de vivermos eternamente uma escravidão branca, fruto de nossa inércia e ignorância.

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