O mundo das drogas, não é novidade para ninguém, é repleto de dor e sofrimento, tanto para quem é dependente químico como para a família do usuário. Diariamente ficamos sabendo de histórias de vidas que acabaram de forma trágica por causa das consequências do vício.

Contudo, histórias de pessoas que passaram por problemas com drogas e sobreviveram, são menos comuns, principalmente quando nos referimos ao crack, droga devastadora que tem alto poder de criar dependências. Mas estas histórias existem.

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Gustavo foi usuário de crack por quatro anos. Foto: Arquivo pessoal

Gustavo Rodrigues é uma pessoa que pode dizer que caminhou pelo “vale da sombra e da morte” e sobreviveu para contar a própria história. Hoje com 40 anos, Gustavo desde cedo teve contato com as drogas. “Por volta de 16 ou 17 anos eu conheci a maconha. Tinha um grupo de rock, não que o rock tenha sido o culpado, mas o ambiente era propício para o consumo. Depois de algum tempo experimentei a cocaína. Com a cocaína, já na fase adulta, a cocaína passou a fazer parte do cotidiano”, explica Gustavo.

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“Eu sempre fui uma pessoa que prezava muito a família e nestes dias minha esposa já estava disposta a se separar.”, diz ele, que na foto está com a esposa Kátia.

Apesar de ser usuário de cocaína e não ter muito controle sobre o consumo desta droga, Gustavo conseguiu ter uma vida funcional. Já casado, trabalhava na Central de Processamento de Dados de uma grande empresa de distribuição de bebidas da cidade.

“Foi quando comecei a usar o crack que a minha vida passou a girar em torno da droga e a partir daí trocava de emprego constantemente e não me fixava em lugar nenhum. Ficava dias seguidos apenas fumando crack e não ia trabalhar”, relembra.

Livre da dependência química, Gustavo hoje é pastor evangélico. Foto: Acervo pessoal
Livre da dependência química, Gustavo hoje é pastor evangélico. Foto: Acervo pessoal

Como muitos outros viciados em crack, ele chegou a tirar coisas de dentro da própria casa para vender e manter o vício. “Certa vez cheguei a fazer um empréstimo bancário e gastei todo o valor em crack. Passei quatro dias em uma casa sem beber água, sem me alimentar. Apenas fumando crack”, relembra emocionado.

Ele relembra de certa vez que, de madrugada, ele foi caminhando do bairro Santa Rosa até Kubitschek para tentar comprar crack. Ele foi direto para a casa de um traficante e bateu na janela.

“O cara acordou assustado e colocou uma pistola na minha cabeça. Ele exclamou ‘você é doido de vir a minha casa a esta hora?’. Ali eu tive um livramento de Deus e sei disso”, afirma.

Depois de quatro anos de consumo intenso da droga, com a vida despedaçada, Gustavo já tinha consciência da situação em que estava. “Eu sempre fui uma pessoa que prezava muito a família e nestes dias minha esposa já estava disposta a se separar. Eu mesmo já tinha suplicado a Deus para que me ajudasse a sair desta situação. Foi quando uma amiga da família nos disse que estava frequentando uma igreja evangélica e me fez o convite”, relembra.

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“No segundo culto em que fui eu aceitei Jesus como meu salvador e Deus operou o milagre da restauração em mim”, diz o pastor ao lado da esposa e uma de suas filhas.

O que Gustavo teve, foi o que muitos chamam de “experiência religiosa”. “Eu fui no primeiro culto e me senti muito bem. Me senti leve e resolvi voltar. No segundo culto em que fui eu aceitei Jesus como meu salvador e Deus operou o milagre da restauração em mim. Depois deste dia não tive mais necessidade da droga” diz orgulhoso.

Hoje ele é o Pastor Gustavo, da Assembleia de Deus Altar da Restauração, que fica em Muquiçaba. Desde que foi ao segundo culto, há quinze anos atrás, Gustavo nunca mais usou drogas. Ele continua casado e é pai de três filhos.

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