Não somente os setores comercial e turístico estão sendo afetados pela pandemia do novo coronavírus. Outro ramo que está sofrendo é o de eventos que está parado há mais de 100 dias e será, possivelmente, o último a retornar. Nessa reportagem especial, conversamos com quatro importantes empresários de Guarapari e falamos das perspectivas do setor.

Perspectivas. João Vitor Guimarães Vaz, do Cafe de La Music afirmou que as perspectivas diante da pandemia são otimistas para alguns, mas que se houver protocolos com limitações de público, os eventos ficam um pouco inviáveis, em função dos custos, dessa forma, é possível que o retorno aconteça após o surgimento de uma vacina ou algo do tipo. “Os otimistas acham que em outubro já começaria ter eventos, com limitações. Contudo, as limitações que tenho vista inviabilizam o evento, eis que com limitação de público, a conta não fecha, considerando toda produção, estrutura, logística e cachê de artistas. Acredito que temos duas opções de autorizar eventos, uma seria com a vacina, a melhor, o que acredito ser entre dezembro e fevereiro, ou com o controle do vírus como foi feito na Europa, permitindo a reabertura. Mas acredito que eventos para 2 mil pessoas e em locais abertos. Maiores, só com a vacina mesmo”.

Contratos. O empresário disse que os contratos permanentes, do pessoal do escritório, foram mantidos, mas a maioria que é contratada somente para o evento acaba não tendo emprego. “Mantivemos nossos funcionários e tocamos nossos projetos normalmente, eis que inicialmente pensava-se que era algo em torno de 30 dias, que virou 60 e aí estamos. Mas mantivemos a equipe em função já que os contratos são do escritório central. A grande maioria é contrata só para o evento, o que tem nos deixado muito tristes, pois são muitas famílias que dependem do setor”, afirmou.

Foto de © Alisson Demetrio | 2018 – Cafe de La Musique

Eventos. Sobre os eventos que deixaram de acontecer, segundo João Vitor, foram aproximadamente cinco e possivelmente os que aconteceriam nos feriados de setembro e outubro. “Mas estamos com nossa agenda sempre fechada, adiando conforme for, postergando a pandemia. Liberando com segurança sem riscos para a população, estaremos prontos para receber nossos clientes”.

Alguns milhões foram os valores não arrecadados. “Fora os indiretos, como transporte, a rede hoteleira, restaurantes no entorno, bares, supermercado. Todo os gastos que o turista tem na cidade”, afirmou o empresário.

Prevenção. De acordo com João Vitor, nesse momento o governo deve pensar na saúde da população, e isso não necessariamente quer dizer lockdown. “É uma decisão complexa (…) não gostaria de estar na pele de um governante hoje. Especialmente no ramo do entretenimento, não só eventos, mas bares, teatros e afins, algum projeto que contemple a sobrevivência e retomada poderia ser proposto, afinal, somos nós grandes protagonistas do turismo, influenciando assim nos rendimentos de vários outros ramos”, finalizou deixando a seguinte mensagem: “que essa fase sirva para reflexão e evolução espiritual da sociedade, vai passar e sairemos mais fortes, espero que para muitos, melhores também”.

Brava. Conversamos também com Felipe Fioroti, diretor da produtora de eventos Brava Entretenimento, que se mostrou otimista com relação à retomada. “O momento é de espera e preparação pela retomada. Acredito que a curva no Brasil quando começar a baixar teremos uma queda forte no número de contaminados. Diferentemente de outros países não acredito em segunda curva no Brasil até porque teremos o advento da vacina a partir de dezembro”, afirmou.

Sobre número de funcionários dispensados, a Brava perdeu 5 colaboradores, quase 50% da equipe, segundo Fioroti, a maioria dos funcionários é composta por temporários. Com relação ao número de eventos que deixaram de acontecer, o empresário contabiliza aproximadamente 80.

Fonte: multiplacemais.com.br

Quando perguntamos sobre os valores que deixaram de ser arrecadados, Felipe disse que não consegue contabilizar. “Deixamos de girar muito dinheiro. Evento arrecada muito e gira demais. (…) Somos um motor importante para girar a economia e distribuir dinheiro para mão de obra não qualificada”, afirmou.

Incentivo. O empresário falou ainda da importância de uma política de incentivo fiscal. “As prefeituras e governos devem montar uma política de incentivo fiscal, renegociação de dívidas e afrouxamento nas taxas. É muito importante que o setor retome e por mais que haja uma demanda reprimida recuperar um ano parado demandará pelo menos o dobro de tempo trabalhando arduamente”, finalizou.

Otimismo. Conversamos também com o empresário Saulo Venturini, proprietário dos Clubes (S Dinning Club e Thale Beach) e do Bells Pub. Ele disse estar otimista com as perspectivas de retomada do setor. “Sigo otimista e espero no máximo até setembro poder voltar e já abrir mais dois restaurantes na Praia do Morro para compensar o tempo perdido”, afirmou.

Sobre o número de demissões, Saulo afirmou ter perdido 12 funcionários no Bells, porque o Thale Beach e o S Club trabalha com diaristas. O Bells está fechado há 110 dias, sem os cinco shows acústicos semanais. “No Thale Beach e S Club perdemos todos os finais de semana e feriados”.

Fonte: Facebook Bells Pub

Quando perguntamos ao Saulo de que forma a prefeitura ou os governos poderiam ajudá-los, ele enfatizou levar a sério o distanciamento social, mas disse também que não acredita – infelizmente – que o vírus possa ser evitado. “Levo muito a sério a questão do distanciamento social, mas acredito que podemos no máximo retardar e não evitar esse vírus, o governo e prefeitura deveriam liberar todos os setores, pois a economia vai sucumbir e o prejuízo será pior, ao invés de fechar tudo eu acredito que deveria trabalhar com medicamentos que aumentem a imunidade, saneamento, eventos esportivos. Com uma população saudável poderemos seguir em frente”, finalizou.

Mex. Conversamos ainda com Marcelo Secchin Meira, proprietário do Mex. Ele afirmou que acredita na seriedade da doença e espera uma vacina ou queda no número de infectados para um protocolo de retomada. “Hoje a gente está respeitando todos os decretos impostos (…), a gente está levando em consideração que essa doença é uma doença muito complexa, é uma pandemia global, (…) então a gente tem que se adequar ao que o mundo está vivendo. (…) O que todo mundo está passando, nós também estamos passando. A gente está aguardando uma vacina, uma queda grande no número de infectados, no número de mortes pra gente conseguir com protocolo dar uma retomada”.

Readequação. Quando perguntamos ao empresário se houve alteração no quadro de funcionários, ele esclareceu que a readequação ocorreu, assim como em outras empresas, mas “(…) foi justamente no término da temporada, quando a gente tem uma diminuição no quadro de funcionários, os funcionários são intermitentes, eles só trabalham quando a casa está funcionando”, afirmou.

Até o momento, aproximadamente 32 eventos deixaram de acontecer no Mex, segundo o empresário. Quando perguntamos a Marcelo o que o estado ou a prefeitura podem fazer para auxiliar o setor, ele acredita que no momento não há muito o que ser feito. “Eu acredito que a gente está vivendo uma pandemia e não tem muito que um governante ou outro façam pra poder isso mudar, o que tem que ser feito é achar uma cura (…), um remédio, uma vacina, eu acho que esse é o ponto principal que a gente precisa se dedicar para que a gente possa retomar nossas atividades”.

Novidades. Muitas novidades estão por vir. ”A gente está se preparando, trabalhando mais talvez do que se tivesse aberto, a equipe de gestão se preparando para nossa retomada. Estamos estudando, nos aperfeiçoando, querendo melhorar o atendimento, inovando. Então você pode ter certeza de que quando tudo voltar nós estaremos preparados para retomar com muito trabalho, muita dedicação, muito melhor do que éramos (…). Estamos usando muito esse período para nos aperfeiçoar”, afirmou o empresário.

Marcelo finalizou deixando uma mensagem para os colegas: “Faça da dificuldade uma oportunidade, é a frase que eu considero aqui dentro do Mex”.

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