Quase duas semanas após perder seu filho de apenas 10 anos, a fotógrafa Cida Rocha, 32, concedeu entrevista, na noite de ontem (26), para os apresentadores Wilcler Carvalho Lopes e Roberta Bourguignon no programa na Pauta, do Portal 27.

Na entrevista, Cida relata que o filho apresentou alguns sinais de depressão, mas ela só percebeu após a morte da criança. “Existia um problema na minha casa e eu não enxergava. Meu filho deu sinais, mas os sinais foram silenciosos”, afirmou a mãe.

Entrevista com Cida Rocha no programa Na Pauta – Portal 27

As pessoas se perguntam como uma criança pode ter depressão. Felipe Rocha cursava o 5º ano do Ensino Fundamental e era uma criança feliz, prestativa e adorava brincar. “Como uma criança ter depressão? A depressão é uma doença e ela não escolhe quem ela quer. Não é tão fácil ser diagnosticada como um câncer que você consegue ter um sinal visível”, afirmou a mãe que não se deu conta dos sinais que seu filho apresentou.

Os desenhos. “Um dos sinais que o filho dela deu foram os desenhos, ele gostava de desenhar. Os desenhos que ele expressava os sentimentos estavam escondidos dentro de livros de quando ele começou a ler. Ele escondeu em lugares que achava que eu não ia procurar. A dor ele escondia de mim. Ele sempre desenhava escutando música, ele começou a escutar músicas melancólicas, por ele ser muito inteligente, ele sabia o que as músicas transmitiam, os desenhos foram feitos nos momentos em que o Felipe mais sentia dor. Eu o abordei e disse: que música triste e ele respondeu: mãe, a música fala o que a gente está sentindo”, afirmou Cida.

Não foram os jogos. A fotógrafa deixou claro que não foram os jogos que influenciaram seu filho, pois, inclusive, ele estava sem celular desde o dia 22 de agosto, por ter tirado nota baixa na prova de matemática. “Aproveito para deixar claro os murmúrios que houve, meu filho não foi influenciado por jogos, celular ele deixava em frente a ele tocando músicas para inspirar ele a desenhar. Desde o dia 22 de agosto ele estava de castigo sem celular porque tinha tirado nota baixa em matemática. Ele teve queda no rendimento escolar, foram sinais que passaram imperceptíveis por mim”, afirmou.

A decisão em não viajar. Felipe iria viajar com os pais em seu aniversário de 11 anos, Cida percebeu que alguma coisa estava errada quando de um momento para outro ele disse que não queria mais viajar. “Essa última viagem foi programada por ele, seria o presente de aniversário de 11 anos. Essa nova viagem seria feita em família: ele, o pai dele e eu. Me preocupou no domingo quando ele disse que não queria mais viajar, era uma criança muito decidida e o que ele queria ele agarrava com muita força. Então eu pensei que alguma coisa de muito errado estava acontecendo”, afirmou a mãe.

Mais sinais. Felipe estava com medo de ficar sozinho. “Meu filho sempre entendeu minha profissão, mas nos últimos dias ele sempre queria que eu voltasse logo, ele não queria ficar sozinho”.

Dor de mãe, transformar luto em luta. Cida afirma que sua dor é intransferível, mas está movendo seu luto de modo a ajudar outras mães a perceberem os sinais que seus filhos dão de que algo está errado. “Minha dor de mãe é intransferível, por ser um filho desejado, amado, meu parceiro, meu companheiro, o luto pode ser transferido e adaptado do jeito que se quiser, transfiro meu luto em luta às vidas que ficaram, que sofrem, que passam por depressão”, finalizou.

Confira a entrevista na íntegra:

Entrevista com Cida Rocha

Entrevista com Cida Rocha, que rescentemente perdeu seu filho Felipe de 10 anos em Guarapari.

Publicado por Portal 27 em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

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