Os Policiais Militares da Grande Vitória, excluídos pelo movimento dos familiares grevistas, vieram até Guarapari na tarde desta quarta-feira (01), com a “Tenda da Anistia” pedir o apoio da população, na intenção de serem reincorporados na Polícia Militar do Espírito Santo.

Os militares estiveram em Guarapari recolhendo assinaturas em busca da anistia. Foto: Cecília Rodrigues.

O cabo Pesca diz que precisa da assinatura de mais de 27 mil eleitores para ter sua profissão, e a de outros 21 militares que já foram expulsos, de volta.

“É um projeto de iniciativa popular, que tem objetivo de alcançar o mínimo de 1% das assinaturas do eleitorado capixaba. Nós vamos entregar esse projeto na Assembleia, para os deputados analisarem e votarem. Depois, isso vai para a mão do governador”, conta.

O cabo comenta que os militares estão recebendo apoio da população na maioria das cidades em que a tenda já passou. “A sociedade está tendo entendimento que nós estamos sendo injustiçados, que nós não cometemos crime. São militares de ficha exemplar, que estão sofrendo perseguição do Governo do Estado. O apoio da população vai mostrar para os deputados que nós estamos certos. A sociedade está entendendo que nós estamos sendo vítimas do Estado, tanto quanto elas (as mulheres) foram”, ressalta.

O comerciante, Marcelo Pontes, assinou o ação popular para o pedido de anestia. Foto: Cecília Rodrigues.

Excluídos. O cabo Pesca, que serviu por 12 anos a Polícia Militar e atuava na Rotam, fala que complicado ser um “ex-policial” é um rótulo difícil de carregar. “Perante a sociedade, o ex-policial é muito discriminado, o civil não sabe qual motivo da exclusão. É muito difícil para arrumar emprego. Risco a gente corre, temos mais de uma década combatendo o crime, estamos em situação de insegurança. Mas tenho certeza que vou conseguir voltar, não sei quando, mas vou”, comenta o Militar.

A sargento Michele, que estava há 14 anos na corporação e também era da Rotam, conta que teve que adaptar a vida à sua atual situação financeira. “A gente tem que se adaptar. Eu amava ser policial e realmente não me via fazendo outra coisa. O tempo que fiquei na polícia me dediquei exclusivamente à polícia. Tenho dois filhos que cuido sozinha. Está sendo muito difícil. E quando você sai da polícia você não recebe nada. FGTS, nada, sai literalmente com uma mão na frente e outra atrás. Mas tenho certeza que vou voltar, as vezes não no nosso tempo, mas no tempo de Deus”, fala a sargento esperançosa.

Os policiais dizem que todos os militares excluídos em decorrência do movimento são ajudados pelo Fundo de Amparo aos Militares Capixabas, da Associação de Cabos e Soldados. “Os sócios contribuem mensalmente e é repassado um valor pelo menos para manter suas necessidades mensais”, diz Cabo Pesca.

A aposentada Valdereis Cabral levou as amigas para ajudarem no processo de anistia.

População.  A aposentada, Valdeiros Bandeira Cabral, levou as amigas para apoiar os militares excluídos. “Eu e minhas amigas assinamos. Eles não devem ser punidos. É muito injusto, é triste. Eles têm que sair com todos os direitos que eles têm”, ressalta.

O comerciante, Marcelo Pontes, também contribuiu com sua assinatura. “Não acho que foi crime, foi tipo uma greve forçada. Acho uma injustiça, pelo risco que eles correm. Além de não passarem por isso, eles deveriam ganhar mais. Eles saem de casa e não sabem se vão voltar com vida. São servidores do estado há tantos anos e saírem dessa forma, sem direito nenhum, até mesmo um presidiário recebe benefício e eles não.

Procurada pela imprensa para responder aos questionamentos, a Secretaria Estadual de Segurança Pública, disse que não vai comentar sobre o assunto. 

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