Neste domingo (22), a já tradicional “motociata” em prol do Outubro Rosa, que parte do Radium Hotel, as 08h30,  ganha mais um motivo para reunir ainda mais seguidores. Rogéria Amélia Piedade, de 57 anos, que organiza este passeio motociclístico desde 2014, também está na luta contra o câncer de mama.

Rogéria descobriu um câncer de mama depois de fazer sua mamografia periódica.

Rogéria conta que sempre foi preocupada com esta questão e fazia pelo menos uma vez ao ano uma mamografia para checar seu estado de saúde. Em abril deste ano, quando foi ao médico para fazer um outro procedimento, decidiu aproveitar para fazer seu exame anual nas mamas. “Deus foi tão bom comigo que nem era para eu fazer esse exame naquela época, mas por um erro no pedido do médico, para não perder a viagem, fiz uma mamografia”, conta.

Ela diz que o médico logo identificou o nódulo em seu seio e estava confiante por parecer um problema pequeno. “O médico olhou o resultado e disse que era muito pequeno, retirei meia mama. Mas ao analisar o câncer, ele viu que ele era invasivo e infiltrante, que já havia se espalhado para axila e que ele era do último grau, o tipo mais perigoso da doença”, fala.

Depois da cirurgia da mama, a motociclista teve que fazer sessões fortes de quimioterapia e fala que agora o câncer já se espalhou para a corrente sanguínea e que os médicos dizem que a doença pode aparecer em qualquer lugar do corpo.

“O médico me fez assinar um terno atestando que eu estava ciente de que tinha poucas chances de cura e que só um milagre de Deus me salvaria. Comecei então as quimioterapias, que são fortíssimas. Depois delas eu fico uns 10 dias muito ruim, com pernas bambas, sem enxergar direito. Teve um momento tão difícil, que eu estava decidida a não fazer mais o tratamento”, relata.

Rogéria pilota uma Honda 500 X

Por seu problema de saúde, Rogéria tinha sido proibida por uma médica de fazer o que mais gosta: pilotar sua moto. “Eu já tinha até colocado minha moto à venda, mas Deus é tão bom que eu não consegui vendê-la de jeito nenhum . Até que um outro médico disse que eu deveria fazer o que me deixasse feliz. Ele me liberou. Peguei minha moto, fui até Iriri, no caminho todo chorei de felicidade, foi a melhor recomendação médica que podia ter recebido”, conta emocionada.

Rogéria não dispensa seu colete de couro para fazer o tratamento.

Mesmo em meio de seu grave problema de saúde, Rogéria não perdeu a alegria de viver  e continua no seu tratamento com a quimioterapia, e ela vai sempre vestida para as sessões com acessório especial para dar força para seguir o tratamento.  “Agora vou fazer mais 12 sessões, uma vez por semana. E toda quimioterapia eu vou com meu colete de motociclista, ele representa todos meus amigos que eu fui juntando em todos esses anos nas estrada, eles me dão força diariamente para continuar”, afirma.

Além da sua batalha contra o câncer, Rogéria é responsável por sua neta, de 6 anos, com paralisia cerebral, e há 7 anos passou por uma dificuldade com seu filho, de 28 anos, que perdeu a perna em acidente de moto. “Estou passando por um grande batalha, mas sou forte e conto com a misericórdia de Deus para vencer essa luta”, diz.

Rogéria, que é professora aposentada pela prefeitura, conta que teve seus gastos muito aumentados com suas idas constantes a médicos em Vitória para realizar seu tratamento. “Minha despesa aumentou muito, eu vou constantemente para Vitória, isso tudo fica muito caro. Precisei  de mais ajuda da cuidadora que fica com minha neta, por muitas vezes estar em tratamento ou não ter condições de cuidar dela pelos efeitos colaterais da quimioterapia. E meu filho é atleta de jiu-jitsu, quando descobri o câncer tinha acabado de gastar minhas economias com uma viagem dele para Abu Dabhi, onde ele foi competir”, conta.

Para conseguir arrecadar fundos para cobrir o trânsito de seu tratamento, logo depois da “motociata”, Rogéria vai fazer uma feijoada no bar Free Way, na Rua Peruíbe, número 43, Praia do Morro, à partir das 12h. O prato vai custar R$15,00, todo dinheiro reunido vai ajudar a motociclista a dar continuidade ao seu tratamento contra o câncer.