O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) solicitou a condenação do empresário e influenciador digital Renato Cariani pelos crimes de tráfico de insumos químicos destinados à fabricação de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O pedido consta nas alegações finais apresentadas pela promotoria no âmbito do processo que tramita na 3ª Vara Criminal de Diadema, na Grande São Paulo.
Além de Cariani, o órgão ministerial pediu a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados como participantes do mesmo esquema de ocultação de capital e desvio de insumos laboratoriais. O influenciador responde ao processo em liberdade e nega a prática de qualquer ilícito.
Dinâmica do Esquema e Insumos Desviados
De acordo com a denúncia do MPSP, o grupo utilizou a estrutura de empresas sediadas em Diadema — entre as quais a Anidrol Produtos para Laboratórios, a Quimietest e a Anid Labor — para desviar mais de 12 toneladas de substâncias químicas controladas, como lidocaína, fenacetina e ácido bórico. Os insumos tinham como destino a produção e a adulteração de entorpecentes, principalmente cocaína e crack.
A acusação sustenta que o grupo emitia notas fiscais fraudulentas em nome de grandes indústrias farmacêuticas, como AstraZeneca, LBS Laborasa e Cloroquímica, para simular vendas legítimas e ocultar o destino real dos produtos. As investigações mapearam ainda a movimentação de mais de R$ 2,4 milhões em operações suspeitas de lavagem de dinheiro, mediante depósitos em espécie efetuados por intermediários nas contas da Anidrol, que simulavam pagamentos das farmacêuticas. As multinacionais negaram a realização de tais transações.
O MPSP apontou também que mensagens extraídas do telefone de Cariani indicam tentativa de interferência em investigações policiais, citando contatos com o investigador da Polícia Civil André Dziuba para monitorar inquérito sobre fraudes envolvendo a AstraZeneca.
Por outro lado, a promotoria pediu a absolvição de duas investigadas por ausência de provas de participação consciente: Roseli Dorth, sócia da Anidrol, e Andreia Domingues Ferreira, esposa de Fábio Spínola.
Argumentos da Defesa e Prazos Processuais
Em sua defesa nos autos, Renato Cariani sustenta inocência e afirma que a Anidrol foi vítima de uma fraude interna executada por ex-funcionários, que teriam utilizado a empresa para operações ilegais sem o conhecimento do corpo diretivo. Os advogados do influenciador destacam que os documentos sob investigação (cerca de 60 notas fiscais) representam uma parcela ínfima diante dos mais de 85 mil documentos emitidos pela empresa no período analisado.
Os demais réus também rejeitam as acusações. Rodrigo Gomes Pereira declarou que trabalhava em uma loja de veículos de Fábio Spínola e realizava os depósitos bancários a mando do empregador, sem ciência de qualquer irregularidade.
A juíza Andrea Coppola Brião assinou despacho fixando prazo comum de 30 dias para que as defesas dos acusados apresentem suas alegações finais. Indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, Cariani tornou-se réu na Justiça paulista em fevereiro de 2024.











