Protestos estudantis fecham centenas de escolas na França; governo quer punir vândalos

O governo da França vai apresentar ao Senado um projeto de lei para obrigar os responsáveis por atos de vandalismo e destruição durante manifestações a arcar integralmente com os custos das reparações. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (5) pela porta-voz do Executivo, Maud Bregeon.

A medida surge em meio ao acirramento de uma onda de protestos de estudantes em todo o país, que culminou no fechamento total ou parcial de cerca de 500 escolas de ensino secundário e superior por razões de segurança.

Conhecido no debate público francês como “casseurs-payeurs” (cuja tradução livre é “quem parte, paga”), o projeto busca impedir que a população pagadora de impostos assuma a conta da destruição provocada por minorias violentas. Em entrevista à Rádio Europe 1 e à emissora CNEWS, Bregeon enfatizou que a prioridade imediata do governo é a restauração da ordem pública.

“As reivindicações dos estudantes são legítimas, mas precisam ser dissociadas dos episódios de violência que causaram dezenas de milhões de euros em estragos a edifícios e ao mobiliário urbano.”

— Maud Bregeon, porta-voz do governo francês.

Redução de auxílios e responsabilidade compartilhada

Entre as diretrizes do novo texto legislativo está a cobrança integral de multas e indenizações civis dos infratores. Para assegurar a recuperação dos montantes devidos, a porta-voz informou que o governo francês avalia reter ou deduzir benefícios sociais estatais, incluindo o subsídio público de alojamento (subsídio de moradia).

Além disso, a proposta introduz o conceito de responsabilidade compartilhada: manifestantes que permanecerem intencionalmente no local de um ato violento após a ordem expressa de dispersão emitida pelas forças de segurança também poderão ser punidos financeiramente.

Panorama da crise estudantil na França

A insatisfação dos estudantes teve início há vários dias, motivada por demandas estruturais no sistema educacional, como a falta de professores substitutos, a degradação de prédios escolares e a falta de transparência no acesso ao ensino superior.

Apesar da legitimidade das pautas, as mobilizações têm sido marcadas por bloqueios, focos de incêndio, saques e confrontos com a polícia.

IndicadorNúmero registrado
Escolas com aulas suspensasEntre 400 e 500
Escolas incendiadas ou saqueadas24 unidades
Profissionais de educação feridos78 pessoas
Pessoas detidas pelas autoridadesCerca de 5.000 (desde 28/09)

Governo tenta conter crise e promete orçamento maior

O ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, admitiu nesta segunda-feira o temor de que o movimento descambe para uma crise nacional sem precedentes antes da grande jornada de paralisações e manifestações convocada por sindicatos estudantis para esta terça-feira (6).

Na tentativa de arrefecer os ânimos, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou um plano de emergência com cinco eixos prioritários para a educação. O premiê solicitou aos ministros a entrega de propostas concretas até o final do mês para solucionar problemas de falta de professores e de infraestrutura.

Lecornu também programou para terça-feira uma reunião com os presidentes regionais para discutir reformas físicas nas escolas e destacou que o orçamento de 2027 prevê um aporte adicional de 1,2 bilhão de euros destinado ao Ministério da Educação.

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