O Espírito Santo detém o recorde mundial da captura do marlim-azul, peixe que, para os praticantes da pesca oceânica, tem o mesmo valor de um Oscar. Há quase 29 anos a maior “estrela-do-mar” é o capixaba Paulo Amorim.
Num sábado de Carnaval, em 1992, o capitão Amorim saiu de lancha rumo a Guarapari (a 50 km de Vitória), sem imaginar que aquele seria um grande dia de pescaria -apesar de estar no período em que esses peixes de bico forram a costa do litoral do Estado, o que ocorre de Outubro a Março.

A cerca de 50 km da costa, Amorim sentiu um peixe na linha. O bicho bateu na carretilha central. Era o início da batalha. Para o pescador, o peixe teria uns 400 kg. Mal sabia que quebraria o recorde mundial, capturando um marlim-azul de 636 kg, hoje homologado pela Igfa (International Game Fish Association).
Segundo Amorim, o embate entre ele e o marlim-azul -peixe considerado astuto, valente- durou uma hora e meia. “Usei toda a técnica e toda força possível”, relatou Amorim.
O esforço foi tanto que as roupas do pescador se descosturaram. Quase desistiu do embate, mas os companheiros de embarcação continuaram a incentivá-lo. O peixe nem pôde ser embarcado. Para levar o marlim até o iate clube foram necessárias mais quatro horas. Lá, 20 homens içaram o peixe, que ainda expeliu dourados e atuns. O marlim chegou inteiro e foi doado a entidades filantrópicas.
Hoje, em todos os campeonatos que se realizam no Brasil e no mundo, a expectativa é quem conseguirá superar a “estrela-do-mar” capixaba. No recorde anterior ao de Amorim, que aconteceu na ilha de St. Thomas, arquipélago das Ilhas Virgens, o marlim pesava 582 kg. Foram 18 anos antes de ele ser quebrado pelo brasileiro.
Fonte: Folha de São Paulo 27. 10.2003 e www.instagram.com/historia.capixaba











