A partir desta terça-feira (27), os recém-nascidos do Espírito Santo passam a contar com a ampliação do Teste do Pezinho oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a mudança, o exame passa a rastrear 10 doenças, três a mais do que as sete condições anteriormente contempladas pela rede pública estadual.

A ampliação inclui a Atrofia Muscular Espinhal (AME), a Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) e a Agamaglobulinemia. A iniciativa tem como objetivo identificar doenças graves e raras ainda nos primeiros dias de vida, possibilitando o início precoce do tratamento e reduzindo o risco de complicações.
A medida integra as etapas IV e V do Programa Nacional de Triagem Neonatal e está prevista na Lei Federal nº 14.154/2021, que estabeleceu a ampliação progressiva do rastreamento de doenças em recém-nascidos no país.
Quais doenças são identificadas pelo exame?
Antes da ampliação, o Teste do Pezinho realizado pelo SUS no Espírito Santo já rastreava sete condições: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
Com a inclusão das três novas doenças, o exame passa a abranger 10 condições de saúde, ampliando as possibilidades de diagnóstico e intervenção antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.
O secretário de Estado da Saúde, Kim Barbosa, destacou a importância da identificação precoce para o tratamento de doenças raras. “ O diagnóstico nos primeiros dias de vida é fundamental para o sucesso do tratamento de diversas doenças raras. Em casos como as imunodeficiências graves e a AME, a identificação precoce permite intervenções que podem modificar significativamente a evolução da doença e reduzir sequelas”, ressaltou.
Como funciona o atendimento após o diagnóstico
O Programa Nacional de Triagem Neonatal não se limita à realização do exame laboratorial. A iniciativa prevê uma linha de cuidado que inclui busca ativa, confirmação diagnóstica, encaminhamento para especialistas, acesso ao tratamento e acompanhamento multiprofissional.
No Espírito Santo, as amostras coletadas são analisadas pela Apae Vitória, instituição parceira da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e referência estadual em triagem neonatal.
De acordo com João Miguel Debacker, referência técnica em doenças raras da Sesa, quando uma alteração é identificada, a criança é encaminhada para atendimento dentro da rede pública de saúde.
Os casos que necessitam de tratamento especializado são direcionados ao Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), referência estadual no acompanhamento de doenças raras. A unidade conta com uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos geneticistas.
A diretora técnica do hospital, Dória Sá Peixoto, destacou que o fortalecimento do diagnóstico precoce contribui para melhorar o atendimento às crianças. Segundo ela, o hospital oferece tratamento gratuito pelo SUS, incluindo medicamentos específicos para determinadas doenças.
Quando e onde fazer o Teste do Pezinho
O Teste do Pezinho é gratuito e deve ser realizado preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. A coleta pode ser feita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em unidades da rede hospitalar.
Para realizar o procedimento, os pais ou responsáveis devem apresentar a Caderneta da Criança.
Após a coleta, as amostras são encaminhadas para análise na Apae Vitória. Caso sejam identificadas alterações, o recém-nascido é direcionado para a confirmação do diagnóstico e o acompanhamento especializado.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça a importância de realizar o exame pela rede pública, mesmo quando a família também opta por exames complementares na rede privada, já que o SUS oferece uma linha integrada de acompanhamento e tratamento dos casos identificados.
A ampliação do Teste do Pezinho foi apresentada nesta terça-feira (27), em uma agenda promovida pela Sesa e pela Apae Vitória, na sede da instituição, no bairro Bento Ferreira, em Vitória.










