A 1ª Vara Criminal de Guarapari realiza, nesta quinta-feira (26/6), o júri dos acusados de cometerem um tríplice homicídio na Praia do Morro, em Guarapari, no ano de 2005. O crime bárbaro, que teve grande repercussão na imprensa, vitimou pai, mãe e filho e teria sido motivado por um jogo de RPG (Role-Playing Game).

O juiz Romilton Alves Vieira Júnior presidirá o Tribunal do Júri, que tem previsão de início às 9h30, no Fórum Desembargador Gregório Magno, em Guarapari. Será autorizada a entrada de jornalistas para assistir à sessão do júri, mas não serão permitidas imagens do julgamento, nem a entrada de câmeras no local, devendo estas permanecerem na área externa do Fórum.

A decisão de pronunciar os réus e levá-los a júri popular foi proferida em 2010. Mas os acusados apresentaram diversos recursos.

Os próprios pais abriram a porta da casa para os acusados. Um dos réus era amigo de seu filho e frequentava a casa há três anos.

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, no dia 26 de abril de 2005, por volta das 20h30, os denunciados, depois de amarrar as mãos das vítimas e obrigá-los a tomar uma dose bastante forte de um psicotrópico, concretizaram o plano de matar o aposentado D.A.G.; sua esposa, a corretora de imóveis H.H.A.G, e o filho do casal, T.A.G., utilizando para tanto um revólver marca Taurus calibre 32, comprado dois meses antes pelos dois acusados, utilizado para desferir os tiros no ouvido direito de cada um, causando-lhes as lesões determinantes de suas mortes.

Em seguida, de acordo com o MPES, os dois acusados furtaram diversos objetos da casa, entre eles, um DVD, material escolar, roupas e calçados de T.A.G. e de seu pai, dois relógios, uma pulseira, um computador, telefones celulares, cartões de banco e outros pertences das vítimas.

Após o crime, os denunciados teriam, ainda, efetuados vários saques na conta de uma das vítimas.

De acordo com o inquérito policial que instruiu a denúncia do MPES, os denunciados foram à casa das vítimas com a finalidade de continuar um jogo de RPG que haviam iniciado uma semana antes. O réu M.V.M. teria chegado primeiro, sendo recebido pelo casal, que autorizou a sua entrada, como de costume, já que ele era amigo de seu filho único há três anos e estaria acostumado até mesmo a pernoitar na casa. Ele se dirigiu ao quarto do rapaz que não teria demorado a chegar.

Em seguida, teria chegado o segundo denunciado, R.R.R., que estaria indo àquela casa pela primeira vez.

Também segundo o inquérito, eles não teriam jogado nenhum jogo específico de RPG, mas inventado eles mesmos o roteiro, no qual T.A.G. e sua família deveriam morrer, e a prova de que isso é verdade é que os acusados foram para a casa da família já portando um revólver.

Depois de iniciado o jogo, ainda de acordo com o inquérito, M.V.M e R.R.R. teriam concretizado o plano que tramaram antes. Primeiro tomando de T.A.G. o cartão de crédito e senha. Em seguida, o réu M.V.M. teria se dirigido ao caixa eletrônico e efetuado um saque no valor de R$ 1 mil da conta de T.A.G., passando, em seguida, em uma farmácia para comprar o psicotrópico. E em seguida, retornado à casa das vítimas.

Utilizando o revólver que portavam, os réus teriam rendido os pais de T.A.G., que estavam na sala, vendo televisão, amarrado suas mãos e os obrigado a ingerir os comprimidos de psicotrópico com água. Em seguida, teriam passado fita adesiva na boca das vítimas para que não gritassem e nem vomitassem o remédio que engoliram. O filho do casal teve também suas mãos amarradas para trás e foi, igualmente, obrigado a ingerir os comprimidos com água, sendo levado para seu quarto, onde deitou em sua cama.

Os réus foram pronunciados e serão julgados pelo Tribunal do Júri, como incursos nas penas do artigo 121, § 2º, I e IV por 3 (três) vezes, e no artigo 155 § 4º, IV por 7 (sete) vezes, ambos do Código Penal.

O Fórum Desembargador Gregório Magno está situado na rua Alameda Francisco Vieira Simões, no Bairro Muquiçaba, em Guarapari.

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