Uma adolescente de 15 anos continua internada em estado grave após cair de uma van que atua como transporte alternativo em Guarapari. 30 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, esse foi o tempo que Tcharla Costa da Silva permaneceu em coma, respirando através dos aparelhos, sem falar e se mover. Há 11 dias na enfermaria, o médico já adiantou para família que a paciente não tem previsão de alta, pois o que ela sofreu foi muito grave.

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A adolescente sofreu traumatismo crânio-encefálico, segundo a família. E está sem os movimentos dos membros direito e sem a fala. Foto: Família.

Tcharla deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento do município com traumatismo crânio-encefálico, segundo a família e, foi o proprietário da van que buscou a mãe e a irmã em casa, para leva-las a UPA. “Ele foi até a minha casa e disse que minha irmã havia sofrido um acidente. Já era umas 9h30 da noite, o horário que ela deveria estar chegando com ele. Rapidamente nos arrumamos para ir com ele, imaginando que fossem ferimentos leves”, relata Andressa Costa da Silva, irmã da vítima.

Ao chegar ao hospital à cena chocou a família. A adolescente estava entubada, e envolvida em uma manta térmica. “Meu Deus, foi um susto. Minha irmã estava enrolada na manta térmica, no papel de alumínio e toda entubada”, contou a irmã, dizendo ainda que o responsável chegou a dizer, “podem ficar despreocupadas, que eu vou custear com tudo. Mas, por favor, não diga que ela estava trabalhando com transporte de van”.

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A mãe definiu este momento como uma tragédia na vida da família. E que só Deus para ajuda-los neste momento tão difícil. Foto: Roberta Bourguignon.

Tragédia. A adolescente de apenas 15 anos estaria trabalhando na van há quase um mês. Para a mãe, ela disse que era trocadora. Mas além de receber o dinheiro, ela também abria a porta e anunciava nos pontos de ônibus, o trajeto do transporte. A menina chegou a trabalhar escondida até o dia em que ela chegou em casa às 4hs da madrugada, porque estava trabalhando no transporte. “Eu estava desesperada a procura da minha filha. E ela chegou às 4hs da madrugada em casa, depois de passar a noite trabalhando no transporte, por causa de um show que aconteceu na Pedreira”, relata a mãe Maria de Lurdes Prata da Costa, de 46 anos.

No boletim de ocorrência, consta que o acidente aconteceu na Av. Paris na Praia do Morro, e que Tcharla estaria pegando carona na van, mas a família explica que recebeu informações, de que o acidente teria acontecido no ponto de ônibus no Centro da cidade. “As informações que nós temos, é de que ele chegou a fugir do local. Mas deve ter ficado preocupado ao lembrar que a menina tem família. O acidente aconteceu no Centro da cidade. Inclusive um comerciante disse que viu quando o acidente aconteceu, e que foi no ponto de ônibus principal do centro, aquele em frente à farmácia. E a pessoa que viu é o funcionário de um comércio próximo”, esclarece a irmã, lembrando ainda, que ela não pediu carona. “Como ele teve coragem de dizer que ela estava pegando carona? Isso não é verdade”.

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Parte do Boletim de Ocorrência, declarando que o acidente ocorreu na Praia do Morro e que a adolescente foi pegar carona quando caiu da van.

Assistência. Logo após o acidente, o proprietário da van chegou a entregar R$ 100 à mãe, garantindo que não precisaria se preocupar, pois ele estaria de comprometendo a custear todos os gastos com a adolescente, mas não é exatamente o que está acontecendo. “A pessoa que atropelou a minha filha não está querendo dar dinheiro, não está ajudando. Sempre que eu cobro, ele fala que está sem dinheiro. Mas uma pessoa que trabalha todos os dias pra lá e pra cá, tem dinheiro sim”, desabafa dona Maria de Lurdes.

A mãe que é cuidadora de idosos precisou abandonar o emprego para cuidar da filha no hospital. Segundo ela, por causa disso, está bastante endividada. No domingo (15), ela ligou mais uma vez para o proprietário da van, pedindo que pagasse a dívida de R$ 160 na farmácia, e ele deixou R$ 25. “Eu fiquei indignada com ele porque eu pedi a ele pra deixar um dinheiro no supermercado e ele deixou R$ 25 reais sendo que eu estou devendo R$ 160 na farmácia e ele não custeia nada”.

Estado de Saúde. Após passar por três cirurgias no crânio e permanecer na UTI por 30 dias, os familiares ainda não sabem se Tcharla a reconhecem. Ela está na enfermaria do Hospital São Lucas, e segundo a mãe, está sendo medicada todos os dias. O médico disse à família, que não há previsão de alta. Após a última operação do coágulo, a expectativa é de que ela volte a movimentar as pernas.

Por telefone, o responsável pela van, que pediu parar não ser identificado, disse que o acidente ocorreu na Praia do Morro e que ele não conhecia a adolescente, mas está prestando assistência à família, pois ela caiu da van a qual ele é o responsável. “Quem fez a ocorrência foi a polícia, e ela estava no local, por isso não é possível mentir o local. Ela estava pegando carona. Nunca trabalhou comigo e eu não tinha amizade com ela. Eu tenho notas fiscais comprovando o pagamento de passagens de ônibus para Vitória, notas da farmácia e pretendo pagar o colchão que a mãe comprou”, explicou o responsável.

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