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Assistimos um espetáculo de beicinhos e pirraças de uma classe mal acostumada: a classe média remediada. Queixosos de terem que escolher entre desembolsar cerca de R$1.142,02 (R$ 755,00 mais encargos e vale-transporte) por uma empregada [que trabalha 8 horas por dia e 44 horas por semana] ou dispensar os mimos, buscam ocupar a mídia para fazer valer seu “direito adquirido” com a colonização do Brasil e confirmado historicamente com a naturalização das relações sociais de trabalho capitalista de exploração.

A “PEC  (Proposta de Emenda à Constituição) das empregadas domésticas”, como ficou conhecida a lei, mexe em uma questão delicada: mitigar as injustiças e exploração do homem sobre o homem. Para os explorados, uma “emenda à carta de alforria de 1988” que não os libertou plenamente da servidão. Para os exploradores, uma afronta à histórica Casa Grande e sua normalidade.

Quem acordará pela madrugada para dar mamadeira ao bebê? Quem estará de pé antes das 6h para preparar o café das crianças? Quem vai esquentar o meu leite achocolatado antes de eu dormir? E se um de meus filhos fizer cocô durante a noite, quem vai limpar? Quem preparará meu café e trará na cama aos domingos? Nos feriados terei que cuidar de meus filhos? Terei que arrumar a minha cama? Lavar o copo no qual bebo água? Vão acabar com meus domingos e feriados? Não será mais possível utilizar a empregada doméstica nas “mil e uma possibilidades” do trabalho humano desqualificado? Eis as questões “existenciais” da classe mimada! E não adianta fazer biquinho. A lei foi aprovada!

Foto: Circuito MT.
Foto: Circuito MT.

Pirracentos, dizem que demitirão em massa suas empregadas domésticas. Acredito ser improvável. Improvável por conta das vaidades e mimos considerados, por eles, indispensáveis. Seria o mesmo que vender o carro e passar a andar de ônibus por causa do aumento da gasolina.

Pelo que parece, a partir de agora muitos(as) explorados(as) voltarão da Casa Grande mais cedo! Recolher-se-ão com alguns pesos a menos sobre os ombros. Terão mais tempo para socializar-se com seus co-sofredores. Ops! Não seria isso um perigo? Podem gritar os birrentos.

Dirão os mimados: “mente vazia oficina do diabo!” Nesse ponto talvez tenham razão; quem sabe seja esse o motivo do domínio diabólico das mentalidades dos mimados “bicudos” e “pirracentos”.

Para desesperos da classe remediada, as coisas na Casa Grande não serão mais as mesmas. Assim espero!

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