Um diagnóstico de câncer é sempre difícil de receber. Os tratamentos são invasivos e agressivos, muitas vezes debilitando a saúde e o ânimo dos pacientes. Imaginem um casal receber dois diagnósticos de câncer em menos de seis meses. Foi o que aconteceu com o vigia Genálcio Gomes de Paula, 59, e com a professora Edileuza Lopez da Penha Paula, 54, moradores do Bairro Camurugi, em Guarapari e pais de três filhos.

P1000007
Genálcio a a professora Edileuza Lopez da Penha Paula, enfrentam juntos o câncer. Foto: João Thomazelli

No dia 15 de janeiro deste ano Edileuza percebeu que o bico do seio esquerdo estava estranho e resolveu procurar um médico para fazer uma mamografia. Ela descobriu que estava com câncer de mama da forma mais agressiva. No dia 22 de abril ela operou o tumor e hoje está passando pela quimioterapia.

“O meu câncer era do tipo mais agressivo e tive muita sorte em conseguir uma consulta rapidamente pelo SUS e logo depois ser encaminhada para a cirurgia. Na sala de operação os médicos identificaram mais tumores na minha axila, que não existiam a menos de uma semana” conta Edileuza.

P1000004
O filho Wendel dá o suporte para os pais no enfrentamento a doença. Foto João Thomazelli.

Enquanto isso, há mais de um ano Genálcio convivia com um incômodo no estômago que o fez perder o apetite e passar de 105 quilos para apenas 76. No começo todos pensaram que fosse por causa do tratamento da esposa, mas ele sabia que tinha alguma coisa errada com o estômago dele.

Há menos de um mês e já sem conseguir ingerir praticamente nenhum tipo de alimento, depois de passar mal trabalhando, Genálcio fez uma endoscopia e a família recebeu o segundo diagnóstico de câncer. “Eu não comentava com minha esposa que estava me sentindo mal para ela não ficar mais preocupada do que já estava. Mas por fim eu mal ficava em pé”, explicou Genálcio, que descobriu o câncer de estômago quando a esposa passava pela quinta sessão de quimioterapia.

P1000006
“Eu não comentava com minha esposa que estava me sentindo mal para ela não ficar mais preocupada do que já estava.” Foto João Thomazelli.
P1000010
Os dois estão enfrentando as doenças com alegria, esperança e com o apoio dos filhos e amigos.Foto João Thomazelli.

Hoje os dois estão enfrentando as doenças com alegria, esperança e com o apoio dos filhos e amigos. “Cada dia matamos um leão. Chorar eu choro, mas eu sei que estamos vencendo. Algumas pessoas olham para nós como se fôssemos coitados e nós não queremos isso. Temos uma doença e estamos batalhando e vamos vencer”, explica Edileuza.

Genálcio, que está com cirurgia marcada para o próximo dia 21 contou que foi discriminado por outras pessoas por causa da perda de peso tão evidente. “Chegaram a me perguntar se eu estava fumando crack. É uma coisa que me chateou. Mas eu não sabia que tinha tantos amigos. Pessoas do bairro, do trabalho, todos perguntam como nós estamos, querem fazer vaquinha para nos ajudar de alguma forma”, contou o vigia.

Edileuza contou que não estão passando por nenhuma dificuldade financeira imediata e que foi muito bem tratada pelos profissionais de saúde do SUS. “Eu não tenho o que falar do tratamento que recebi no SUS. Todos foram muitos atenciosos e profissionais, tanto comigo, como com meu marido. Só tenho a agradecer pelas pessoas que passaram por nossa vida nestes últimos meses”, finalizou Edileuza.

Deixe seu comentário