Corregedoria da Câmara analisa punição de 14 deputados após ocupação da Mesa Diretora

A Corregedoria da Câmara dos Deputados recebeu, nesta segunda-feira (11), representações contra 14 parlamentares acusados de liderar o bloqueio dos trabalhos legislativos na última semana. Os pedidos de punição foram enviados pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que classificou o episódio como “grave” e defendeu uma resposta “pedagógica”.

Agora, o corregedor Diego Coronel (PSD-BA) tem 48 horas para se manifestar sobre os pedidos de suspensão imediata e cassação dos deputados envolvidos. O prazo é previsto no rito sumário, mecanismo criado na gestão de Arthur Lira (PP-AL) para permitir punições mais rápidas, antes mesmo da conclusão de processos disciplinares no Conselho de Ética.

Corregedoria da Câmara avaliará punições para 14 deputados.

Segundo Coronel, os pareceres preliminares devem ser apresentados à Mesa Diretora até a próxima quarta-feira (13). A análise pode resultar na aplicação de punições aceleradas, como suspensões, mesmo sem julgamento definitivo no Conselho.

“Pretendo pedir uma reunião com a Mesa Diretora para ouvi-los. Os casos mais simples podem ser resolvidos de forma mais rápida. Os casos mais difíceis considero abrir prazo para defesa”, afirmou Coronel em entrevista à TV Globo. Ele também admitiu que pode solicitar a extensão do prazo, embora o regimento da Casa não preveja tal possibilidade para situações que envolvem suspensão imediata.

Caso o corregedor não se manifeste dentro do prazo legal, a própria direção da Câmara poderá decidir se há elementos suficientes para avançar com os pedidos de punição. No entanto, há um limite: a solicitação à Mesa deve ser feita em até cinco dias úteis após o conhecimento do fato — o que ocorreu na sexta-feira (8).

Além das denúncias contra 14 parlamentares de oposição, também foi encaminhado à Corregedoria um pedido do PL para investigar a deputada Camila Jara (PT-MS), acusada de empurrar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o tumulto no plenário.

Deputados na mira

As representações envolvem parlamentares de três partidos: PL, PP e Novo. Três deles são líderes partidários: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL; Zucco (PL-RS), líder da oposição; e Marcel Van Hattem (Novo-RS), líder do Novo.

Veja a lista dos deputados citados nas denúncias:

  • Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

  • Zucco (PL-RS)

  • Marcel Van Hattem (Novo-RS)

  • Carlos Jordy (PL-RJ)

  • Nikolas Ferreira (PL-MG)

  • Allan Garcês (PP-MA)

  • Caroline de Toni (PL-SC)

  • Marco Feliciano (PL-SP)

  • Domingos Sávio (PL-MG)

  • Zé Trovão (PL-SC)

  • Bia Kicis (PL-DF)

  • Paulo Bilynskyj (PL-SP)

  • Marcos Pollon (PL-MS)

  • Julia Zanatta (PL-SC)

A lista pode ser ampliada conforme o andamento das investigações técnicas. Segundo Coronel, outros deputados também podem se tornar alvos à medida que a análise dos vídeos e documentos avançar.

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João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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