Quase 15 anos depois de um dos crimes que chocaram todo o país, quando dois jovens mataram uma família inteira em um suposto ritual de RPG em Guarapari, os acusados Mayderson de Vargas Mendes e Ronald Ribeiro Rodrigues, foram a júri popular nesta quinta-feira (27) e foram condenados a 65 anos de prisão.

 O crime. Na época do crime, os acusados confessaram que foi a derrota do universitário Thiago Andrade Guedes em uma partida de RPG, disputada com os dois, que determinou a sentença da morte dele e de seus pais, o aposentado e corretor de imóveis Douglas Augusto Guedes, e a corretora de imóveis Heloísa Helena Andrade Guedes.

Mãe, pai e filho foram encontrados mortos a tiros com as mãos amarradas, fitas adesivas na boca, em diferentes cômodos da casa onde moravam, na Praia do Morro.

Ronald Ribeiro Rodrigues e Mayderson de Vargas Mendes. Foto: Reprodução TV Gazeta

A audiência durou quase 12 horas. Mayderson e Ronald, na época tinham 21 e 22 anos, e hoje estão com 35 e 36 anos. Mayderson não compareceu ao júri, e de acordo com sua defesa, a defensora pública Neiva Costa Fernandes, não seria uma obrigação, por se tratar de uma defesa técnica.

Policial. O juiz Romilton Alves Vieira Júnior, presidiu o Tribunal do Júri no Fórum Desembargador Gregório Magno, em Guarapari. A audiência começou com mais de uma hora de atraso, porque o advogado Marcos Vinícius da Silva Coutinho, exigiu uma testemunha primordial, o policial civil Alexandre Inácio, que na época participou das investigações.

O Juiz determinou que os policiais militares buscassem a testemunha em sua casa. O policial, atualmente aposentado, aceitou participar. “O policial foi uma testemunha importante. E hoje, o Ronald não precisava ter comparecido, mas o interrogatório é um meio de provar sua inocência”, declarou o advogado de Ronald.

Jogo de RPG. Na época da prisão, no dia 19 de maio de 2005, Ronald disse que as mortes das vítimas foi em razão do jogo RPG, confirmando que decidiram no jogo sobre as mortes, e que ficou acertado que as vítimas deveriam estar dormindo, motivo pelo qual foi administrado o remédio de tarja preta Bromazepan de 6mg.

Douglas Augusto Guedes,Heloísa Helena Andrade Guedes e Thiago Andrade Guedes. foram mortos. Reprodução TV Gazeta

Ameaças.  Ronald disse ontem em seu depoimento que mentiu na época por causa de ameaças sofridas. Segundo ele, desde a prisão com Mayderson de Vargas Mendes, o mesmo ameaçava sua família caso não confirmasse a história dele.

“Ele que me fez contar toda essa história infernal. Eu nunca joguei esse jogo e não sei a dinâmica. Eu não roubei nada. Fomos presos, fui ameaçado pelo Mayderson várias vezes na cadeia. Ele ameaçava me matar e matar minha família”, disse Ronald durante seu depoimento.

 Relação. Na prisão, Ronald disse que Mayderson confessou ser o responsável pelas mortes, e que a motivação seria uma relação amorosa. “Ele me disse que tudo aconteceu por causa de uma relação amorosa com o Thiago”, disse.   O juiz Romilton Alves Vieira Júnior esclareceu que as informações dadas não constavam no processo.

Ronald frisou que mentiu na época. “Ele (Mayderson) me chamou para ir na casa do Thiago, não me chamou para cometer crimes. Quem levou a bolsa foi ele, a arma estava com ele. Ele realmente me deu o dinheiro para comprar e eu ajudei a procurar quem venderia. Mas ele que comprou por R$ 250, dias antes do crime”, completou Ronald.

Ronald disse que Mayderson confessou ser o responsável pelas mortes, e que a motivação seria uma relação amorosa

 Contradição. O promotor da Ronald Gomes Lopes, da 2º Promotoria Criminal de Guarapari, declarou que foi uma decisão justa, e que os acusados acabaram de contradizendo ao longo de suas defesas.

“A defesa adotou a linha de acusar um ao outro. Conseguimos demonstrar que durante a execução do crime um ajudou o outro. Eles são amigos desde os 9 anos de idade, e os jurados talvez tenham entendido que isso comprovava a ligação do crime. Eles foram presos juntos e confessaram tudo”, esclareceu o promotor, comentando ainda que a relação amorosa entre Thiago e Mayderson só foi citada agora, não tendo nenhuma comprovação sobre o caso.

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