“Decisão foi tardia”, diz vice-presidente da Abras sobre proibição das apostas online no Brasil

Para a Associação Brasileira de Supermercados, apostas online competem diretamente com a renda do lar; dados da entidade mostram alta de 2,21% no consumo dos lares em agosto.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, afirmou nesta quinta-feira (1º) que a decisão do governo federal de proibir as apostas esportivas online (bets) ocorreu de forma tardia. Durante entrevista à imprensa, o executivo defendeu que as restrições sejam acompanhadas por campanhas educativas e de conscientização para evitar a migração dos consumidores para o mercado ilegal.

Segundo a Abras, há mais de um ano a entidade vinha alertando o Poder Público sobre a concorrência direta das apostas com o orçamento essencial das famílias brasileiras.

“Ao nosso ver, essa decisão do governo foi um pouco tardia. No fundo, a aposta disputa a renda disponível das famílias. Enquanto o setor supermercadista vende alimentação, qualidade de vida e saúde, as bets poderiam trazer uma ‘doença social’.”

— Márcio Milan, vice-presidente da Abras.

Consumo nos Lares Segue em Trajetória Positiva em Agosto

Paralelamente às críticas sobre o setor de apostas, a Abras divulgou os dados do indicador de consumo nos lares brasileiros referente a agosto:

  • Comparação Mensal (Julho/Agosto): Alta de 2,21%.

  • Comparação Anual (Agosto 2025/Agosto 2026): Crescimento de 2,69%.

  • Acumulado do Ano (Janeiro a Agosto): Avanço de 2,71%.

O desempenho positivo continua alavancado pelo mercado de trabalho aquecido — com taxa de desemprego em 5,3% no trimestre encerrado em agosto e recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas.

Contudo, a entidade ressalta que o comprometimento da renda das famílias subiu para 28,7% em julho (contra 27,3% no mesmo período do ano passado), fazendo com que o consumidor fique mais atento a preços, ofertas e pesquisas de mercado.

Comportamento do Preço da Cesta de Alimentos

O estudo da Abras monitora duas cestas de consumo nacional:

  1. Cesta Abrasmercado (35 produtos de largo consumo): Registrou queda de 0,57% em agosto, marcando a terceira retração mensal consecutiva (após recuos de 0,28% em junho e 1,24% em julho). O valor médio passou de R$ 841,95 para R$ 837,14. No acumulado de 2026, a alta é de 4,60%.

  2. Cesta de 12 Produtos Básicos: Teve leve alta de 0,09% em agosto, fixando o preço médio nacional em R$ 356,76 (alta acumulada de 4,81% no ano).

Para o último trimestre do ano, a entidade projeta sustentação das vendas impulsionada pelo reajuste do Bolsa Família, injeção do 13º salário, Black Friday e festas de fim de ano, acompanhando de perto os impactos do clima e da inflação sobre os alimentos.

Indicadores do Varejo e Consumo (Agosto/2026)

MétricaVariação / Valor
Consumo nos Lares (Mensal)+2,21%
Consumo nos Lares (Acumulado 2026)+2,71%
Cesta Abrasmercado (35 itens)R$ 837,14 (-0,57% no mês)
Cesta Básica (12 itens)R$ 356,76 (+0,09% no mês)
Comprometimento da Renda Familiar28,7%

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